Inalação de produtos de limpeza é o último método de suicídio no Japão

Fernando A. Busca Tóquio, 2 mai (EFE).

EFE |

- O Japão, onde a quantidade de suicídios anuais é cinco vezes o número de mortos em estrada, tem observado ultimamente diversos casos de morte por inalação de produtos de limpeza.

Segundo a Agência de Polícia Nacional japonesa, em 2006, suicidaram-se no Japão 32.155 pessoas, mais da metade delas maiores de 50 anos.

Essas pessoas, além de decidirem se matar, também decidiram o método para fazê-lo.

O enforcamento é a maneira mais comum, mas os diversos estudos elaborados pelo Governo - preocupado com o grande número de suicídios no país - incluem outras formas muito usadas, entre elas se jogar de um local alto ou mesmo nos trilhos de trem.

O encarregado dos assuntos relacionados com o suicídio do Escritório do Gabinete disse à Agência Efe que no ano passado foram elaborados os princípios básicos para combater as mortes desse tipo no Japão.

O objetivo: "Reduzir em 20% a quantidade de suicídios até 2016", declarou.

Recentemente, os meios de comunicação japoneses descobriram uma nova forma que vem sendo utilizada, que consiste na inalação de uma mistura de produtos de limpeza e de banho, que emitem sulfureto de hidrogênio.

Só em abril, 59 pessoas acabaram com suas vidas dessa forma e na última quinta-feira ocorreram quatro casos diferentes.

Em um deles, ocorrido durante a madrugada de quinta, 350 pessoas tiveram que ser retiradas da ilha setentrional de Hokkaido quando um menino de 24 anos usou esse método para se matar. O jovem faleceu e sua mãe teve que ser hospitalizada, afetada pelos vapores.

Mais uma vez, repete-se a intensa cobertura midiática dada pelos meios de comunicação de todo o mundo quando descobriram um caso de suicídio coletivo e pactuado pela internet no Japão.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emite um relatório de recomendação à imprensa para assuntos relacionados ao suicídio no qual, por exemplo, pede para não serem utilizados estereótipos religiosos.

Mas a visão que a sociedade japonesa tem do suicídio é muito diferente da dos países ocidentais, ela é desprovida do tabu ligado à religião cristã.

Apesar dos esforços das autoridades japonesas para acabar com sites que oferecem informação e inclusive ajuda para se suicidar, eles reaparecem e oferecem fóruns no quais os japoneses podem se livrar da pressão do entorno social para se expressar e, talvez, tomar a decisão final.

A Polícia, no entanto, se foca simplesmente na execução do suicídio, sexta causa de morte no Japão, e não em seus motivos.

As razões que podem levar um japonês a tomar uma decisão tão dramática são variadas. Por ordem de incidência: problemas de saúde, econômicos, familiares, de trabalho e, por último, problemas amorosos, segundo dados oficiais.

Caso houvesse o cruzamento dessa informação com o retrato-falado do suicida japonês - um homem em idade de se aposentar ou já aposentado - os dados apontariam para o arrefecimento econômico posterior aos excessos dos anos 80 como uma das causas da síndrome suicida no Japão, país com a décima maior taxa do mundo, precedido na lista por países da órbita ex-soviética.

A relativa normalidade do suicídio, visto como algo cotidiano, levantou falsos rumores entre a população japonesa, como o de que a família de uma pessoa que se mata nos trilhos do metrô precisaria ressarcir a companhia pelos danos causados nas instalações.

Atirar-se na via não é o método mais comum, mas chega a quase 10% dos suicídios de pessoas menores de 19 anos, sobretudo meninas.

Um porta-voz da JR West, uma das principais companhias de ferrovia do país, negou hoje à Agência Efe que a empresa peça compensação em todos os casos.

No entanto, explicou que algumas vezes a companhia pede reparação de danos, o que pode chegar a dezenas de milhões de ienes, caso o suicídio obrigue a reparação de um vagão ou outra instalação. EFE fab-yk/bm/fb

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