Impressão em Petit Goâve é que não há mais nada a ser destruído

Na cidade haitiana de Petit Goâve, que registrou um tremor de 5.9 graus da escala richter nessa quarta-feira, a impressão é de que não há mais nada a ser destruído: o grande terremoto do dia 12 de janeiro colocou abaixo centenas de casas e outras construções, como a principal escola.

BBC Brasil |

Nessa quarta-feira, a terra voltou a se mexer, dessa vez com maior força no sudoeste do país, próximo à cidade que fica a cerca de 50 quilômetros da capital haitiana.

No caminho até lá, rachaduras de até 10 centímetros de espessura cortavam a pista de asfalto.

Mais à frente, um leve tremor é novamente sentido.

Sobrevivência
Humildes, as famílias Petit Goâve improvisam uma nova moradia, sempre do lado de fora. Na casa de Serge Jean Julien, de 54 anos, 23 pessoas estão hospedadas no quintal, entre pedras que desabaram de sua antiga residência.

Ainda assim, diz, todos correram para o meio da rua quando sentiram o terremoto, pela manhã. "Foi o tempo de pegar as crianças", acrescenta.

Ele diz que já sentiu "uns três tremores" desde o terremoto do dia 12 e que vive "apreensivo", mas que "confia na vontade de Deus".

Julien conta que está sobrevivendo com o que ainda tinha em casa, como algum arroz e legumes e que não há água.

"Ouvi dizer que outros países estão nos ajudando, mas ninguém veio aqui até agora", diz.

Na entrada da cidade, há um posto da Minustah (a missão de paz das Nações Unidas no país), mas os moradores contam que "não é possível encontrar ajuda lá".

"Eles têm apenas alguns soldados", diz Jhonny Laguerre, de 32 anos, que atua como um líder comunitário.

A dona-de-casa Edouard Jean Felix, de 52 anos, acomodou sua família debaixo de uma árvore, numa tentativa de minimizar o calor, que nesses dias chega facilmente a 35 graus centígrados.

"Fico imaginando o que vai acontecer na hora da chuva", diz Edouard, apontando para as tendas improvisadas com lençol.

Enquanto a ajuda não chega, moradores de Petit Goâve adotam suas próprias medidas. A principal delas é quebrar o asfalto até encontrarem as tubulações de água.

"Não é limpa, mas está servindo", conta Laguerre. Em uma folha de papel, ele mostra como registra as cerca de 20 pessoas que à noite se reúnem para dormir em uma pequena praça.

"O que mais gostaríamos, nesse momento, é de tendas que nos protejam das chuvas", diz.

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