Imprensa ortodoxa israelense veta imagens de Livni

Por Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - A imprensa estatal síria a descreveu como beldade do Mossad (serviço secreto israelense). Um cartunista palestino a comparou à Mona Lisa. Uma reportagem canadense a classificou como loira natural com olhos azuis como o Mediterrâneo.

Reuters |

Mas Tzipi Livni, convidada pelo presidente de Israel na segunda-feira a formar um novo governo após a demissão do ex-primeiro-ministro Ehud Olmert, permanece sem rosto para grande parte dos haredim, os judeus ultra-ortodoxos de seu país.

Mencionando preocupações com a modéstia feminina, os ultra-ortodoxos se recusam a publicar imagens de mulheres em seus jornais --uma fonte vital de informação para a comunidade reclusa, que normalmente rejeita a televisão, a Internet e a maioria das estações de rádio.

O fato representa um desafio incomum para Livni, a ministra das Relações Exteriores de 50 anos, no momento em que tenta montar uma coalizão de governo e busca apoio entre os ultra-ortodoxos, que representam cerca de 8 a 15 por cento da população de Israel.

"Não há dúvida de que temos um trabalho sob medida no que diz respeito aos haredim", disse Avraham Kroizer, um dos consultores estratégicos de Livni, à Reuters.

"A mídia deles jamais vai mudar a política anti-fotografia, então o que resta é arranjar encontros em pessoa com lideranças haredim que espalhem a notícia", disse Kroizer.

Em encontros com legisladores religiosos para a formação de parcerias políticas, Livni enverga saias comportadas e paletós até os punhos, ao invés de calças e blazer.

Tal deferência irrita muitas feministas israelenses, para as quais isto põe panos quentes em um abismo cultural em uma Israel predominantemente secular, onde a Suprema Corte e o Parlamento são presididos por mulheres.

Caso se torne premiê, Livni, ex-agente de inteligência do Mossad e advogada, será a segunda mulher no cargo mais alto do país desde Golda Meir nos anos 1970.

"É estranho, estas pessoas (os ultra-ortodoxos) exibem uma atitude cujas origens estão na Idade Média, enquanto no nível político parecem estar dispostos a trabalhar com Livni", disse Galia Golan, uma veterana ativista dos direitos da mulher.

Ela disse que Livni "irradia algo feminino, fresco, que levam muitos israelenses a vê-la como uma política que pode trazer um novo tipo de governança."

Um editor-sênior do Hamodia, um diário ultra-ortodoxo, disse não haver planos para reconsiderar a proibição da publicação de fotos de mulheres.

"Sempre fizemos as coisas de acordo com a Tora", disse o editor, que se recusou a dar o nome. "É assim que tem sido desde o início do mundo, e assim deve permanecer."

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