Bangcoc, 5 abr (EFE).- A imprensa estatal de Mianmar (antiga Birmânia) acusou de planejar atentados membros do principal partido da oposição democrática, a Liga Nacional pela Democracia (LND), dirigida pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que está sob prisão domiciliar desde 2003.

O artigo publicado no "Nova Luz de Myanmar", jornal que funciona de porta-voz do regime militar, diz que "há terroristas que pensam em atentar em lugares muito movimentados e estratégicos para criar pânico" entre os cidadãos.

"Esses terroristas, que escaparam da detenção, atacarão seguramente com atos terroristas durante o Thingyan (Festival de Água do Ano Novo, realizado dos dias 13 a 15 de abril) e os lugares onde se instalarão as urnas para o plebiscito", aventura o artigo, sem entrar em identidades ou detalhes.

O texto fornece, como prova de culpabilidade, que os corpos de segurança detiveram em março um membro da LND que fez "cursos de explosivos" em uma nação vizinha, sem esclarecer qual e onde, e a outro "sabotador" com material explosivo e que está vinculado com os atentados com bomba em Yangun em 2004 e 2005.

O citado rotativo publicou na sexta-feira outro artigo atribuído a "um observador" que acusou diretamente a LND e outros grupos da dissidência de preparar atentados durante o plebiscito constitucional.

"O plebiscito será realizado em maio. Pessoas que querem destruí-lo anunciaram publicamente que se opõem ao plebiscito.

Grupos expatriados como a LND, a ABSDF (Frente Democrática dos Estudantes Birmaneses) e KNPP (Partido Progressista da Nação Karen) estão introduzindo especialistas em explosivos no país", segundo dito "observador".

O partido de Suu Kyi pediu esta semana o "não" à Constituição proposta pela Junta Militar porque não respeita os princípios democráticos e garante a permanência dos militares na política.

Outras legendas que rejeitam a Carta Magna são a Geração de Estudiantes de 1988 (Geração 88), o Conselho Nacional da União de Mianmar (NCUB) e o Governo de Coalizão Nacional da União de Mianmar (NCGUB).

Também, o Conselho de Nacionalidades Étnicas (ENC), a Liga da Mulher de Mianmar (WLB), a Federação da Democracia para Mianmar (FDB), o Congresso de Estudantes e Juventudes de Mianmar (SYCB) e o Fórum de Juventudes e Nacionalidades (NY).

Desde que anunciaram em fevereiro o plebiscito constitucional e depois, se for aprovado, eleições parlamentares em 2012, as autoridades birmanesas detêm toda pessoa que critica ou se manifesta contra a Carta Magna.

Ao mesmo tempo, insistem diariamente em todos os meios de comunicação em que a obrigação do birmanês responsável é aprovar a Constituição.

Mianmar está sendo governada por um regime militar desde 1962.

EFE tai/ma

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