Imprensa escrita americana começa a temer por sua sobrevivência

Com tiragens menores, rendas publicitárias em queda e leitores cada vez mais conectados na internet, a imprensa americana está em crise e grandes jornais começam a temer pelo futuro.

AFP |

"O modelo econômico da imprensa escrita não funciona mais", afirma o presidente da Washington Post Company, Donald Graham, uma opinião que ganha cada vez mais espaços entre os analistas da mídia dos Estados Unidos.

"O Washington Post e a Newsweek perderão dinheiro em 2008", anunciou Graham semana passada em uma conferência em Nova York.

"Será um desafio para nós demonstrar algum progresso em um clima muito difícil para a publicidade em 2009", completou.

O grupo de imprensa Tribune, proprietário dos jornais de prestígio Chicago Tribune e Los Angeles Times, anunciou semana passada ter recorrido à proteção da lei de falências (capítulo 11).

A imprensa dos Estados Unidos demitiu ou forçou a aposentadoria de 15.400 pessoas este ano, segundo Erica Smith, repórter do St. Louis Post-Dispatch que contabiliza as perdas de emprego no setor.

Os jornais não passam um dia sem notícias ruins a respeito da desacelaração econômica, que reduz a renda com publicidade e estimula muitos anunciantes a recorrer aos sites de internet gratuitos.

Segundo a agência que verifica a circulação de jornais, a tiragem dos 507 diários americanos caiu 4,6% em seis meses, com 38 milhões de exemplares vendidos na média entre março e setembro, contra 40 milhões vendidos há um ano.

Somente o USA Today, do grupo Gannett, e o Wall Street Journal, do magnata da imprensa Rupert Murdoch, conseguiram resistir, com altas modestas de 0,01% no número de leitores.

Os recursos obtidos com publicidade pela imprensa caíram 18,1% no último trimestre, o sexto trimestre consecutivo de queda, segundo a Associação Nacional cde Jornais.

No mesmo período, a publicidade on-lines aumentou, mas não deve chegar a uma alta de 9% em 2009, segundo o eMarketer. Além disso, a renda obtida com a internet não passa de 15% do total de nenhum grande jornal do país.

Até o New York Times, o jornal de maior prestígio dos Estados Unidos, anunciou semana passada que vai conseguir 225 milhões de dólares com a hipoteca da nova sede em Manhattan. A meta é conter uma crise de liquidez provocada pela restrição do mercado de créditos e uma queda dos lucros.

"Penso que veremos regiões inteiras sem um jornal local em um futuro próximo", prevê Roy Peter Clark, vice-presidente do Poynter Institute, organização que estuda os meios de comunicação.

Ao discursar em um evento em Naples, Flórida, sobre "o futuro do jornalismo", Clark afirmou que não existe uma fórmula mágica para assegurar a sobrevivência do setor.

O American Press Institute convidou, mês passado, 50 donos de jornais para uma reunião destinada a debater a crise.

Especialistas já advertiram que os proprietários de jornais estão diante de um cenário clássico de "evolui ou revienta" e que devem agir rapidamente.

No fim de outubro, o Christian Science Monitor, jornal de tiragem limitada mas de muita credibilidade, anunciou que abandonará a edição em papel para ser divulgadoa apenas pela internet a partir de abril de 2009.

cl/fp

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