Imprensa desmente a conversão de Gramsci, fundador do comunismo italiano

A revelação feita por um prelado do Vaticano de que o fundador do Partido Comunista italiano, Antonio Gramsci, abraçou a fé católica antes de morrer em 1937, foi desmentida nesta quarta-feira pela imprensa, citando testemunhos da época.

AFP |

O anúncio do arcebispo Luigi de Magistris, ex-dirigente do Tribunal do Vaticano para a Penitenciaria Apostólica, gerou reações e polêmicas em toda a Itália e revolucionou os sites italianos.

A eventual conversão de um dos intelectuais mais brilhantes da península, apreciado também por sua estatura moral, foi contestada por historiadores e pesquisadores, ouvidos pelos jornais.

Gramsci (1891-1937), autor de numerosas obras teóricas sobre o marxismo, passou os últimos onze anos de sua vida nos cárceres fascistas.

Segundo De Magistris, "Gramsci recebeu os Sacramentos ao morrer e regressou à fé de sua infância". Em sua opinião, os comunistas preferiram, então, silenciar sobre os fatos.

Os rumores sobre a conversão de Gramsci começaram a circular em 1967 depois das revelações de freiras que estiveram junto ao filósofo e pensador italiano na clínica romana onde morreu.

Segundo elas, o fundador em 1921 do Partido Comunista, conservava desde a infância uma estampa de Santa Teresa do Menino Jesus venerada por sua mãe, a qual quis beijar antes de morrer.

Os jornais La Repubblica, Liberazione e L'Unità recordaram que foram realizadas numerosas investigações sobre o tema e destacaram o trabalho do sociólogo Arnaldo Nesti, que entrevistou várias testemunhas da morte de Gramsci.

"Depois da última tentativa para que se convertesse, reagiu voltando-se para a parede", contou o irmão Carlo.

Para o La Repubblica, a conversão de Gramsci é uma "lenda", enquanto o jornal Il Manifesto (de extrema esquerda) ironiza ao proclamar "Gramsci santo subito" (santo já), como pediam os católicos após a morte de João Paulo II.

O conservador Il Messagero ressalta "a ausência de provas", enquanto o diário católico Avvenire assegura que "o mistério fica em aberto".

Monsenhor De Magistris não apresentou documentos que sustentem sua tese e não existem vestígios da conversação nem sequer nas cartas escritas nesses dias, ainda inéditas, segundo o filósofo Giuseppe Vacca, presidente da Fundação Gramsci.

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