Imprensa americana é unânime ao saudar a vitória histórica e decisiva de Obama

Os grandes jornais americanos saudaram nesta quarta-feira a eleição histórica de Barack Obama para a Casa Branca, destacando os enormes progressos feitos pelos Estados Unidos apenas 50 anos após a adoção das leis que puseram fim à segregação racial.

AFP |

Com o título "Obama, as barreiras raciais caem com uma vitória decisiva", o New York Times considerou que "é um desses momentos da História que merece que nos detenhamos nele, para analisar os fatos".

"Um americano cujo nome é Barack Hussein Obama, filho de uma mulher branca e de um homem negro que ele apenas conheceu, e criado por seus avós longe (do continente americano), foi eleito o 44º presidente dos Estados Unidos (...) Seu triunfo foi decisivo e inapelável, porque ele viu o que estava errado neste país: o fracasso do governo em proteger os cidadãos", acrescentou o jornal nova-iorquino, que havia apoiado Obama durante a campanha eleitoral.

O New York Times ressalta também a "difícil herança" deixada pelo presidente republicano George W. Bush, mencionando a crise econômica e as guerras em Afeganistão e Iraque.

Para o Washington Post, a vitória decisiva de Barack Obama ilustra "os progressos" realizados nos Estados Unidos nas relações entre as diferentes comunidades raciais e étnicas.

"Quando apoiamos Obama, nós não mencionamos a raça, pela simples razão de que ela não tinha importância em nossa decisão. Obama era simplesmente o melhor dos dois candidatos", escreveu o jornal.

"Mas a raça é particularmente importante neste momento. Como os americanos não poderiam ficar emocionados" com a eleição de um presidente negro?, segundo o diário.

"Obama nasceu em uma época (1961) em que vários estados teriam proibido o casamento entre sua mãe branca do Kansas e seu pai negro do Quênia. Poucas pessoas na época e, na verdade, poucas pessoas ainda há alguns anos, conseguiram prever" a ascensão de um negro à Casa Branca, se entusiasma o jornal.

"Obama não poderá apagar a herança de Bush", acrescenta o Post, "mas há uma chance de melhorar a posição da América no mundo, pondo fim a práticas condenáveis, como a tortura".

Felicitando Obama por sua vitória, o Wall Street Journal (conservador) afirma que os americanos "puniram os republicanos por seu fracasso econômico".

O diário de negócios destaca a qualidade da campanha realizada por Obama, explicando que a sua vitória se deve em parte a sua "eloqüência" e ao seu "charme fora do comum".

"É algo que jamais ocorreu em um outro país ocidental", frisa o jornal, "apesar do desdém europeu em relação à América 'racista'".

Para o Los Angeles Times, que intitula "Vitória de Obama, um mandato para a mudança", "nós merecemos saborear este momento".

"O racismo em nossa história é um fato real, doloroso e longe de estar resolvido, mas nossos progressos são também inegáveis e se manifestaram na terça-feira à noite", escreve o grande diário californiano.

"A satisfação da vitória de Barack Obama ressoa no mundo inteiro, emocionando a Europa e a África, os países pobres e os países ricos, da mesma maneira que emociona nossa alma nacional", ressalta o editorial do jornal.

O Washington Times, jornal ultraconservador, indica que a vitória de Obama mostra que "os progressos extraordinários no âmbito racial feitos pelos Estados Unidos são inegáveis".

"De alguma forma, sua vitória, depois de ter obtido milhões de votos de americanos de todas as raças e grupos étnicos, representa uma vitória para a nação", reconhece o jornal.

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