Impostos financiarão plano social na Argentina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou, nesta segunda-feira, a criação de um plano social que deverá ser financiado com os recursos gerados pelo aumento dos impostos às exportações. O discurso da presidente, transmitido em cadeia de rádio e de televisão, foi realizado um dia depois que os ruralistas encerraram três meses de protestos, com alguns breves períodos de tréguas, contra esses impostos.

BBC Brasil |

"Vamos destinar 60% destes recursos à construção de trinta hospitais e trezentos postos de saúde. Outros 20% irão para a construção de casas populares e outros 20% para as estradas", disse a presidente.

"O Estado não quer fechar as contas fiscais (com essa arrecadação extra), mas as contas sociais de todos os argentinos", afirmou.

O discurso foi feito em um dos salões da Casa Rosada (sede da Presidência da República) e foi acompanhado por governadores, legisladores, empresários e representantes de diferentes entidades sociais. A presidente foi aplaudida várias vezes durante o pronunciamento.

Reação
A proposta de destinar os recursos gerados pelo aumento dos impostos ao chamado "Fundo de Redistribuição Social", que inclui a construção de hospitais, postos de saúde e estradas, foi recebida com ressalvas pelos principais líderes do setor rural.

"Todos concordamos, como disse a presidente, que o combate à pobreza é muito importante (...). Mas insistimos que estes impostos assim são confiscatórios e esperamos que algum dia possamos dialogar", disse o presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Mario Llambias.

O presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, por sua vez, disse que a distribuição de riquezas deveria contar com a taxação de outros setores, além do rural.

"Primeiro, gostaríamos de saber por que não falaram nessas propostas sociais antes? Além disso, por que só nós, produtores rurais, temos que fazer esforço se existem outros setores que também poderiam entrar nessa equação?", questionou.

Buzzi pediu "calma" aos produtores que continuam à margem das estradas e que ameaçam voltar a bloquear o trânsito caso o governo não desistisse dos impostos.

Um semestre
Nesta terça-feira, o governo de Cristina Kirchner completará seis meses e, segundo diferentes analistas, a disputa com os ruralistas ocupou metade da sua primeira gestão como líder.

No discurso, ela pediu "perdão" se alguém se sentiu ofendido por suas palavras. Isso porque nesses três meses, a presidente criticou fortemente os produtores rurais, acusando-os de realizar "protestos da abundância".

Seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, presidente do principal partido do país, o peronista Partido Justicialista, os definiu como "golpistas".

Durante o trimestre de protestos, os ruralistas passaram 21 dias bloqueando o trânsito, o que gerou desabastecimento e a saída do ministro da Economia, Martin Lousteau. Apesar disso, os manifestantes receberam apoio da população de grandes cidades, onde foram realizados panelaços contra o governo.

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