Imperador do Japão se diz 'muito preocupado' com acidente nuclear

Rara aparição de Akihito na TV dá a dimensão da crise no país, enquanto técnicos trabalham para evitar catástrofe em Fukushima

iG São Paulo |

O imperador do Japão, Akihito, disse estar "profundamente preocupado" com a possibilidade de um acidente nuclear no país, que tenta conter a crise provocada por um terremoto seguido de tsunami . "O acidente na usina me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore", afirmou, em pronunciamento na televisão japonesa.

A rara aparição de Akihito dá a dimensão da crise nuclear no Japão. Em sua primeira manifestação pública depois do desastre, o imperador também disse estar orando pelas vítimas do desastre.

"Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se deem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca. "O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível." 

AFP
O imperador Akihito, em rara aparição ao vivo na TV

Milhares de pessoas ainda estão desaparecidas entre os escombros da costa nordeste do país. Na pequena Otsuchi, o paradeiro de metade dos oito mil moradores permanece incerto. O governo confirmou a morte de mais de 3,5 mil pessoas, mas teme-se que o número seja superior a 10 mil.

A situação é complicada pelas temperaturas abaixo de zero e a falta de suprimentos em diversas áreas. Cerca de 500 mil pessoas estão em abrigos temporários, que estão sem comida, água, eletricidade e combustível.

Perigo nuclear

Enquanto isso, os técnicos estão trabalhando para evitar uma catástrofe nuclear na usina de Daiichi, em Fukushima, onde uma falha no sistema de resfriamento dos reatores já causou três explosões e vazamento de material radioativo.

Nesta quarta-feira, um incêndio atingiu o reator número 4 da usina e o aumento nos níveis de radiação do local obrigou os trabalhadores a abandonar temporariamente a instalação.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que os níveis de radiação voltaram a cair e os técnicos retomaram os trabalhos de estabilização do reator. Mas o container que abriga o reator pode ter sofrido dano, afirmou o porta-voz.

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados. Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação - suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

Estrangeiros

A situação de instabilidade tem levado países a elevar sua recomendação de evitar viagens para grande parte do Japão. O governo australiano recomendou todos os seus cidadãos que estiverem em Tóquio ou nas cidades afetadas sem uma razão essencial a deixar os locais.

Já o governo francês aconselhou os seus cidadãos a deixar o norte do Japão e mesmo a capital e se dirigir ao sul do país. Paris informou que pediu à Air France dois aviões para evacuar os seus cidadãos do país a partir da quinta-feira.

A autoridade nuclear francesa diz que a catástrofe no Japão já atingiu o nível seis, em uma escala que vai até sete. O Japão classifica o incidente como nível quatro.

Com BBC

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