San Salvador - O avião venezuelano que leva o presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya chegou neste domingo em El Salvador procedente de Manágua, depois que foi impedido aterrissar em território hondurenho.

Zelaya chegou ao aeroporto internacional El Salvador, para se reunir com os presidentes da Argentina, Cristina kirchner, e do Equador, Rafael Correa, assim como com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, informou hoje a rede "Telesur".

A aeronave, na qual também viajava o presidente paraguaio, Fernando Lugo, tocou o solo salvadorenho após uma breve estadia em Manágua e depois que militares impediram sua chegada ao aeroporto de Tegucigalpa.

O presidente deposto chegou a El Salvador acompanhado por seu chanceler, Patricia Rodas, e o presidente da Assembleia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaraguense Miguel D'Decoto.

Impedido de pousar

O avião do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, foi impedido de pousar no aeroporto de Tegucigalpa neste domingo e precisou fazer uma parada rápida na capital da Nicarágua, Manágua.

Por telefone, dentro do avião, Zelaya afirmou que os soldados leais ao governo interino bloquearam a pista de pouso e o alertaram que poderiam atacar o avião caso a aeronave tentasse pousar.

Zelaya enviou uma mensagem ao comandante do Exército hondurenho, general Romeo Vazquez.

"General, não destrua seu próprio povo e sua própria família. Nos ajude a tentar convencê-los (os responsáveis pela deposição do presidente) a reconsiderarem suas ações. O povo está nas ruas e eles não podem governar."

"Eles (os que depuseram o presidente) foram rejeitados por todos os países do mundo. Pare seus soldados, general, peço isso a você com todo meu amor como um cidadão hondurenho e como seu amigo. Pare o massacre em nome de Deus", pediu Zelaya.

AP
Manifestante é morto em confronto

Manifestante é morto em confronto

Pelo menos uma pessoa morreu neste domingo quando soldados dispersaram a manifestação a favor do presidente deposto no aeroporto de Tegucigalpa.

Milhares de pessoas tentaram chegar ao aeroporto quando o avião de Zelaya deixou Washington tentando voltar para Honduras.

Os soldados dispararam gás lacrimogêneo contra os manifestantes no aeroporto de Tegucigalpa e arredores, que teriam respondido com pedras, e a multidão invadiu um cordão de isolamento enquanto esperava pelo avião de Zelaya.

Segundo informações de hospitais locais e da polícia, além do manifestante morto, outras pessoas ficaram feridas no confronto.

Ameaça

AP
Simpatizantes de Zelaya protestam em Honduras

Simpatizantes de Zelaya protestam

De acordo com o correspondente da BBC em Tegucigalpa Stephen Gibbs, o governo interino afirmou que qualquer tentativa de pousar com o avião do presidente deposto será uma violação internacional das regulamentações de tráfego aéreo. E ameaçou Zelaya de prisão caso ele volte ao país.

Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores de Honduras, Enrique Ortez, disse em entrevista à emissora de rádio local HRN que o presidente deposto não terá autorização para pousar no país.

"Dei ordens para que não se deixe entrar, venha quem venha, para que não se cometa a imprudência de que morra um presidente da República, que se vá ferir um presidente da República ou que morra quem quer que seja", afirmou.

O avião de Zelaya decolou de Washington, onde o presidente deposto participou, no sábado, da reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

No voo com o presidente deposto estava o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'escoto Brockmann e vários jornaistas.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o líder do Equador, Rafael Corrêa e o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, foram para El Salvador para monitorar os acontecimentos e devem se reunir com Zelaya.

Os militares - com o apoio do Congresso e do Judiciário de Honduras - retiraram Zelaya da presidência no dia 28 de junho, um ato que foi condenado pela comunidade internacional e que resultou na suspensão de Honduras da OEA.

Entenda:

**Com informações da Efe e BBC**

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