Impasse sobre controle do governo trava negociações no Zimbábue

Por MacDonald Dzirutwe HARARE (Reuters) - Terminou sem acordo na terça-feira o terceiro dia de negociações políticas entre o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder oposicionista Morgan Tsvangirai.

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Não houve confirmação oficial sobre quando será retomado o diálogo, mas um dirigente oposicionista afirmou que 'muito provavelmente' haverá uma nova rodada na quarta-feira.

A tentativa de negociação sobre quem deve governar o país começou em julho, depois que a oposição desistiu de disputar o segundo turno no Zimbábue, devido a agressões contra seus seguidores, e Mugabe conseguiu se reeleger. A lisura do pleito foi mundialmente questionada.

O encontro de terça-feira durou quatro horas, num hotel de Harare, e inclui também Arthur Mutambara, líder de uma dissidência do partido oposicionista MDC.

Tendai Biti, secretário-geral do MDC, disse que 'as negociações não desmoronaram, é só um tempo [para pausa]'. 'Não há nada que não possa ser superado', afirmou.

Na segunda-feira, Mugabe disse que havia progressos, embora um membro do seu partido, o Zanu-PF, tenha afirmado que o processo corre riscos.

'Tsvangirai está mexendo nas traves do gol, nos obrigando a negociar questões sobre as quais já havíamos concordado', disse essa fonte à Reuters, referindo-se especificamente à possibilidade de que Mugabe comande um governo de unidade nacional.

Uma fonte do MDC disse que Mugabe está se recusando a abrir mão de poderes. 'Ele se nega a admitir que, para ser o chefe de Estado aceito pelo MDC, Tsvangirai deveria ser o chefe de governo. Não podemos nos mexer dessa posição. Então, há um impasse'.

Mutambara afirmou que o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, que medeia o processo, dará uma entrevista coletiva sobre a situação.

Mugabe, cujo poder depende do apoio militar, participou na terça-feira de uma cerimônia em que concedeu medalhas a 16 generais, sendo três postumamente.

(Reportagem adicional de Cris Chinaka e Nelson Banya em Harare; Phakamisa Ndzamela em Johannesburgo)

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