Impasse eleitoral deixa votação na AIEA em aberto

Por Mark Heinrich e Sylvia Westall VIENA (Reuters) - Após cinco turnos inconclusivos de votação, novos candidatos devem se apresentar para a sucessão do diretor-geral da agência nuclear da ONU, Mohamed El Baradei, disseram diplomatas na sexta-feira.

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O embaixador japonês junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, que era o favorito, não alcançou a maioria de dois terços nos dois dias de votação envolvendo os 35 países que compõem o conselho de direção da agência, entre eles o Brasil.

Foram três turnos na quinta-feira, nos quais Amano superou o sul-africano Abdul Samad Minty, mas sem os 24 votos necessários.

Na sexta-feira, o conselho recorreu a duas rodadas em que os dois nomes foram submetidos a uma espécie de plebiscito. Na vez de Amano, foram 22 votos no "sim", 12 no "não" e uma abstenção. Com Minty, foram 15 "sim", 19 "não" e uma abstenção.

Os conselheiros agora devem descartar essas candidaturas e convidarem novos nomes, que talvez sejam capazes de reduzir as profundas diferenças entre os países industrializados e já nuclearizados e as nações em desenvolvimento que pleiteiam acesso à energia nuclear.

Os novos candidatos terão um mês para se apresentar, e a nova eleição deve ocorrer provavelmente no princípio de maio.

El Baradei, 66 anos, deixa o cargo em novembro, após três mandatos totalizando 12 anos. Mas os funcionários da agência querem que a sucessão esteja resolvida até junho, para garantir uma transição suave num momento de graves desafios ao regime global de não-proliferação nuclear.

Amano, 61 anos, tinha o apoio de países ricos, inclusive os EUA. Minty, 69 anos, era o preferido do Terceiro Mundo. Ambos podem se candidatar novamente, caso desejem.

Muitos conselheiros estavam ansiosos em produzirem a maioria qualificada, ou mesmo uma eleição por consenso, de modo a evitar divisões políticas posteriores.

Entre possíveis candidatos na nova disputa estão sendo citados nos círculos diplomáticos:

- Luis Echavarri, espanhol, diretor da agência de energia nuclear da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

- Rogelio Pfirter, argentino, diretor da Organização para a Proibição das Armas Químicas, em Haia, e experiente ex-negociador de tratados nucleares.

- Milenko Skoknic, chileno, embaixador junto à AIEA e ex-presidente do conselho de direção da agência.

- Jonas Gahr Stoere, chanceler da Noruega.

- Vilmos Cserveny, húngaro, diretor de relações externas da AIEA, cargo que El Baradei ocupava até 1997.

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