Impacto da crise na ajuda aos pobres gera preocupação na assembléia da ONU

Elena Moreno. Nações Unidas, 22 nov (EFE).- O impacto da atual crise financeira e a possibilidade de que isso prejudique a capacidade dos países mais desenvolvidos de doar fundos aos mais pobres causa preocupação na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) hoje, embora o assunto não esteja em nenhuma das agendas.

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A luta contra a pobreza e as poucas conquistas sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio concentram os debates na assembléia, onde estarão presentes líderes de todo o mundo, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tentará esta semana, em seus múltiplos contatos bilaterais com os países ricos, mobilizar os Governos para que a ajuda no combate à miséria continue e as turbulências financeiras não atinjam vítimas nas nações mais pobres.

Com os objetivos, pretende-se até 2015 acabar com a fome e a pobreza extrema, dar educação básica a todos, promover a igualdade entre os sexos e reduzir a mortalidade infantil, além de combater a aids e outras doenças, melhorar a saúde das gestantes e garantir o desenvolvimento sustentável.

"Todos queremos que os Objetivos funcionem e não o fizeram. Ter um trabalho decente é uma das políticas necessárias para alcançá-los", disse hoje o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o chileno Juan Somavia.

Ele acrescentou ainda que desde a década de 90 até agora o nível de pobreza é o mesmo, o que considerou "inaceitável".

Atualmente, a ONU estima em mais de um bilhão as pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia.

Sua última avaliação sobre os Objetivos do Milênio, publicada em 11 de setembro, afirma ainda falta cumprir a maioria deles e que a crise alimentícia e as frágeis economias da África os colocam em risco.

Somavia disse que desde o lançamento dos objetivos, em setembro de 2000, "a crise da pobreza não diminuiu, e essa é uma crise que existia antes da financeira atual".

A criação de emprego decente é considerada por parte da comunidade internacional um dos elementos essenciais ao desenvolvimento econômico e social. Para a ONU, a erradicação da miséria passa também por dar trabalho produtivo e digno a todos.

Em duas diversas reuniões e em seus discursos na Assembléia Geral, a partir de terça-feira, se espera que os líderes mundiais se comprometam a reduzir pela metade a pobreza extrema antes de 2015, meta que continua ainda muito distante.

Ban, que destacou muitas vezes os objetivos como pilar da estratégia da ONU de desenvolvimento e que seu descumprimento seria considerado um tremendo fracasso, pedirá mais cooperação e vontade política aos ricos.

Os países mais desenvolvidos descumprem por uma diferença de US$ 10 bilhões o compromisso adotado pelo Grupo dos Oito (G8, os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) em 2005 de aumentar para US$ 50 bilhões a ajuda dada aos mais pobres.

Há poucos dias, o principal responsável da ONU advertiu que o mundo enfrenta "uma emergência em matéria de desenvolvimento" e que "alcançar os objetivos é essencial para se conseguir a paz".

Entretanto, os debates da Assembléia Geral, que serão abertos amanhã com discursos de Ban, Lula e dos presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da França, Nicolas Sarkozy, serão também a chance de abordar outros assuntos como o Oriente Médio e o programa nuclear do Irã.

Na terça-feira, também se dirigirão à assembléia países como Nicarágua, Argentina, Irã, Panamá, Bolívia e Geórgia, enquanto no dia seguinte as nações a debater serão Paraguai, Chile, República Dominicana, México, Honduras, El Salvador, Colômbia, Guatemala e Costa Rica. EFE emm/rb/rr

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