Imigrantes unem forças para repatriar corpo de brasileira morta na Espanha

Rosa Veiga. Orense (Espanha), 18 mar (EFE).- Imigrantes e moradores da cidade de Orense, Galícia, naturais de países de América Latina e África, se organizaram para travar uma luta peculiar e tentar repatriar ao Brasil os restos da brasileira Maria Socorro da Silva, que foi morta em fevereiro.

EFE |

A jovem, de 26 anos, foi assassinada por um espanhol, de 48 anos, Ramón F. A., que foi detido após confessar que a matou após discutir sobre o preço de seu programa.

As promotoras da ideia de assumir a tarefa de repatriação foram Lidia, de 43 anos, natural da República Dominicana e residente em Orense há 10 anos, e a brasileira Sandra, de 40 anos, e moradora da cidade há 14.

As duas se conheceram por acaso, já que, enquanto Lidia buscou ajuda para abrir uma conta para recolher doações para o processo de repatriação, Sandra começou a colher assinaturas para, segundo o texto, "pedir às autoridades públicas o translado ao Brasil" do corpo de Maria Socorro da Silva.

Em entrevista à Agência Efe, as duas começaram a se mobilizar após lerem na imprensa que nenhuma instituição queria assumir a repatriação, "apesar de terem constatado que a mãe e a filha vivem no Maranhão, a seis mil quilômetros do aeroporto mais próximo e sem condições econômicas", afirmou Sandra.

"As duas estavam angustiadas e sensibilizadas pelas poucas oportunidades que esta menina teve, já que chegou a Orense há três meses, atraída por uma possibilidade de futuro, e caiu nas mãos de um desalmado que a matou, muito longe de sua casa e de sua família", acrescentou Lidia.

As duas foram a um posto telefônico onde os clientes mais frequentes são latino-americanos, e decidiram "unir forças".

Após descobrir que não poderiam abrir uma conta bancária particular para recolher doações, buscaram e encontraram "a cumplicidade" da associação de senegaleses em Orense que imediatamente aceitou colocar seu nome na conta.

Desde segunda-feira há uma conta aberta no banco La Caixa com a epígrafe "Repatriação de Maria Socorro" e, para os que não podem ir a uma agência, mas querem ajudar, "há oito arcas distribuídas em postos telefônicos, barbearias de dominicanas e pizzarias, identificadas para recolher qualquer ajuda", declarou Lidia.

Na segunda-feira à noite, as promotoras da iniciativa ficaram sabendo que o juizado de Orense determinou que a Prefeitura deve enterrar o corpo da jovem assassinada, mas não fixou um prazo.

Por isso, Lidia, Sandra e um grupo de colaboradores começaram os contatos com a família da vítima no Brasil para ver se podem pagar a viagem da mãe da jovem a tempo de que assista ao enterro.

A esses esforços se somou um grupo de religiosas do Maranhão, que colaborará com os trâmites de obtenção do passaporte.

A legislação espanhola impede o translado do corpo, pois já se passou um mês desde a morte da brasileira, e seu estado impede um embalsamamento que cumpra os requisitos em lei.

No entanto, um parente poderia levar ao Brasil as cinzas de Maria Socorro, mas a cremação ainda não foi permitida pelo juizado, segundo explicou Marga Martin, vereadora do Bem-Estar Social.

Ainda sem saber se têm tempo para trazer do Brasil algum parente da jovem para que assista a seu enterro, Lidia e Sandra se propõem a percorrer os prostíbulos para explicar às meninas que trabalham ali o que aconteceu e dizer como podem ajudar.

Elas já contam com o apoio de 30 imigrantes de Venezuela, Colômbia, China e outros países, assentados na cidade de Orense.

O jornal espanhol "Interviú" contou o caso de Maria Socorro da Silva, mãe de uma menina de seis anos que ficou no Brasil.

A jovem chegou à Espanha em 31 de dezembro para conhecer um homem por quem se apaixonou após uma conversa pela internet.

A relação não deu frutos e a mulher decidiu recorrer à prostituição para obter o dinheiro necessário para voltar ao Brasil.

Um de seus clientes, Ramón, a matou e atirou seu corpo ao rio Avia.

EFE rv/db

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