Barcelona, 3 out (EFE) - Os porta-vozes de 23 entidades de imigrantes expressaram hoje indignação com os discursos das pessoas que os culpam da crise financeira mundial e anunciaram mobilizações para protestar contra o tratamento recebido por essa minoria.

As críticas estão em um comunicado conjunto, divulgado hoje.

As 23 entidades fizeram um apelo "à máxima participação" nos atos do Dia Mundial por um Trabalho Digno, convocado pelas principais centrais sindicais espanholas, com o apoio das associações de imigrantes, para 7 de outubro.

O representante da Associação de Dominicanos na região da Catalunha, Manuel Cólon, destacou que a crise tem suas origens nos mercados financeiros internacionais e que "não se pode culpar os imigrantes".

Em sua opinião, as medidas da chamada diretiva de retorno da União Européia (UE) e as propostas do ministro de Trabalho e Imigração espanhol, Celestino Corbacho, em relação à expatriação dos desempregados e a redução da contratação em origem, fazem parte de "um discurso que culpa a imigração da atual crise econômica".

O secretário de Imigração do sindicato Comisiones Obreras (CCOO), Ghassan Saliba, acrescentou que, "embora depois o Governo tenha retificado e dito que a contratação em origem não seria zero, o certo é que este tipo de contratos estão sendo eliminados".

No comunicado, as 23 entidades de imigrantes afirmam que a diretiva de retorno da UE viola os direitos humanos, porque permite a expulsão dos menores sem garantias e porque aceita também que uma pessoa que não cometeu qualquer crime, apenas uma infração administrativa, seja privada da liberdade durante 18 meses.

Em sua opinião, as propostas do ministro do Trabalho também violam os direitos humanos porque limitam o reagrupamento familiar e esquecem "o direito de viver em família".

Por último, os porta-vozes dos imigrantes pediram "aos estamentos implicados para adotar um discurso sereno e responsável que não crie confusões entre a opinião pública, porque em um momento como o atual é necessário unir a sociedade e evitar o racismo". EFE rod/db

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