Grupos pró-imigrantes começavam a marchar nesta quinta-feira em Los Angeles e em outras cidades dos Estados Unidos para pedir uma reforma migratória e denunciar as operações de caça aos clandestinos, enquanto os pré-candidatos à Casa Branca discursavam para tentar conquistar o voto da minoria hispânica.

Segundo os ativistas, as manifestações serão realizadas simultaneamente em vários estados e cidades com importantes comunidades de imigrantes, como Los Angeles, Chicago, Miami e Nova York.

"Com as marchas de hoje, esperamos superar um milhão de pessoas em todo o país", disse à AFP Javier Rodríguez, presidente da Coalizão 25 de Março, um dos grupos de manifestantes de Los Angeles.

Até agora, as concentrações prévias em diferentes cidades mostram a adesão de poucas milhares de pessoas, esperando pelo começo das manifestações.

O 1º de maio do ano passado reuniu bem menos pessoas que em 2006. Há dois anos, no entanto, quando essas marchas foram organizadas pela primeira vez, mais de um milhão de manifestantes foram às ruas para demonstrar apoio aos imigrantes e pedir uma reforma migratória.

Em 2008, as marchas têm a intenção de enviar uma mensagem a outros destinatários.

"O objetivo principal é dizer aos candidatos à presidência que o tema da reforma migratória deve ser discutido com força e clareza em suas campanhas políticas, para alcançar a comunidade hispânica e resolver a legalização de 13 milhões de trabalhadores clandestinos", explicou Rodríguez.

"Não estamos apoiando ninguém abertamente nestas manifestações, mas acreditamos sim que (o senador por Illinois, Barack) Obama seria o presidente mais acessível dos três para nossa comunidade, obretudo depois do apoio de Bill Richardson", governador democrata do Novo México, de origem hispânica, continuou.

Os pré-candidatos democratas reiteraram nesta quinta-feira sua intenção de rever as leis de imigração caso sejam eleitos.

O pré-candidato democrata à presidência Barack Obama reiterou nesta quinta-feira que tentará mudar as leis migratórias se chegar à Casa Branca, e pediu aos imigrantes que votem.

"Dois anos depois (das várias manifestações a favor de uma reforma migratória nos Estados Unidos), os políticos continuam divididos e o desafio continua sem uma solução", afirmou Obama em um comunicado divulgado por seu comando de campanha.

"No aniversário dessas marchas, quero mais uma vez expressar meu compromisso com a reforma migratória integral e dizer que farei tudo que puder para trazer ordem e compaixão a um sistema que hoje já está ultrapassado", diz o texto, escrito em castelhano.

"Nosso problema da imigração continua sem ser resolvido, e aqueles que querem a mudança terão que votar pela mudança em novembro. Por isso, hoje eu convido aqueles que marcham pela mudança a trabalhar registrando votos nos meses que virão. Seu voto é sua decisão", conclui Obama, senador pelo estado de Illinois.

Na manhã desta quinta-feira, sua rival na batalha democrata, a ex-primeira-dama e senadora por Nova York Hillary Clinton, emitiu um comunicado semelhante, reiterando seu compromisso com a reforma migratória.

"Estou comprometida a trabalhar com o Congresso para apresentar um projeto de lei de reforma ampla de imigração ainda nos primeiros 100 dias de minha administração", declarou Hillary.

O candidato republicano John McCain não se manifestou sobre o tema nesta quinta-feira.

Os termos "ampla reforma" e "reforma integral" são usados nos Estados Unidos para se referir a uma mudança nas leis de imigração que permita a regularização dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem atualmente no país, além do controle da imigração clandestina nas fronteiras.

pb/ap

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