(atualiza com o retorno dos imigrantes ao centro e declarações do Governo) Roma, 24 jan (EFE).- Após horas de manifestações pelo centro de Lampedusa, os 1.

300 imigrantes irregulares que estão abrigados no Centro de Primeiro Amparo da ilha italiana voltaram ao local, sem que houvesse incidentes, mas em meio a fortes medidas de segurança.

Os imigrantes escaparam do centro aproveitando uma distração dos agentes que o controlam e, após forçar a cerca que rodeia o local, saíram em passeata em direção ao centro da ilha pedindo "liberdade" e "ajuda". Eles também exigiam ser transferidos à península italiana para se reunir com seus parentes ou deixar a Itália.

Os manifestantes fizeram protestos em frente à Prefeitura da ilha, no sul da Itália, distante apenas cerca de 100 quilômetros do litoral da África e considerada uma das "portas" da Europa pelos imigrantes que buscam um futuro melhor.

A Polícia, segundo a imprensa local, não interveio e se limitou a controlar à distância os imigrantes, que se queixavam do tempo que ficam no centro e das difíceis condições que encontram para viver no abrigo, que possui capacidade para 800 pessoas e que, agora, abriga 1.300.

Os imigrantes queriam ser transferidos ao centro de amparo de Brinsidi, no sul da Itália, para ser levados à França, à Alemanha ou ao norte da Itália, onde vivem seus parentes.

O presidente do Governo, Silvio Berlusconi, que se encontrava na ilha de Sardenha, disse que a situação em Lampedusa esteve sob controle o tempo todo.

Já fontes do Ministério do Interior explicaram que não se tratou de uma "fuga de imigrantes", já que o centro de amparo permite que as pessoas alojadas no local entrem e saiam livremente do abrigo.

O caso ocorreu um dia após cerca de quatro mil habitantes da ilha, dos seis mil que possui, protestarem contra o Governo após o anúncio do ministro do Interior, Roberto Maroni, de que seria aberto um novo centro de identificação de imigrantes em Lampedusa.

Os moradores, com o prefeito à frente, se opõem ao novo centro e denunciam que Lampedusa é uma ilha que vive do turismo e o Governo pretende transformá-la em uma "prisão ao ar livre, em uma nova Alcatraz", conforme gritaram durante a manifestação.

Hoje, centenas de moradores de Lampedusa fazem abaixo-assinado contra a abertura do novo centro, que o Governo pretende construir em uma velha base militar abandonada. EFE jl/db

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