Imigrantes ilegais recebem tratamento desumano nos EUA, diz estudo

WASHINGTON - Dezenas de imigrantes prestes a serem deportados são maltratados em instalações da polícia americana, ressalta um estudo divulgado hoje que destrincha as condições subumanas dos estrangeiros em situação irregular mantidos em um centro do Estado de Washington.

EFE |

Em um relatório, a Universidade de Direito de Seattle e a ONG OneAmerica agruparam as "inúmeras violações" dos direitos humanos cometidas contra grande parte dos 985 detidos do Northwest Detention Center de Tacomã, em seu maioria mexicanos, guatemaltecos, salvadorenhos, hondurenhos e asiáticos.

"Estas violações, inaceitáveis em qualquer circunstância, são ainda mais notáveis pelo fato de que as detenções - originalmente previstas para durarem pouco tempo - normalmente se estendem por meses ou até anos", diz o documento.

Segundo o estudo apresentado, após as visitas de advogados, os guardas do centro e os chefes de Polícia federais regularmente abusam dos detidos física e verbalmente.

Como exemplo, o texto cita as declarações de uma detenta que afirmou que tinha "pesadelos" a cada vez que os oficiais a deixavam nua para saber se ela possuía algum objeto escondido na vagina ou no ânus.

Além disso, vários dos internos entrevistados contaram que, em uma ocasião, enquanto eram transferidos de avião de um centro para outro, ficaram proibidos de usar o banheiro por mais de sete horas e ainda foram algemados para que não pudessem comer.

"Todos os que são privados de sua liberdade merecem ser tratados com humanidade e respeito, dada a dignidade inerente a toda pessoa", diz o estudo, levado a cabo mediante 46 entrevistas com detentos, parentes destes e advogados.

Apesar de muitos dos detidos não terem dito que sofriam de depressão, os entrevistadores detectaram que muitos deles pareciam deprimidos, nervosos, assustados ou com uma combinação de várias doenças.

O relatório ressalta ainda que a falta de atividades recreativas, o concreto e as instalações sem janelas, assim como a privação de liberdade, o isolamento cultural e a incerteza sobre seu processo de detenção, ajudam a aumentar a instabilidade mental dos reclusos.

Quanto à alimentação, 80% dos internos entrevistados disseram que comem pouco e geralmente continuam com fome após as refeições.

Os autores do relatório exigem que o governo americano cumpra as leis internacionais e domésticas, que determinam os padrões mínimos do tratamento aos detidos. 

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