LONDRES - Foi assim que tudo começou na Alemanha nazista, opinou Samantha Foster, uma inglesa bem-humorada que conheci na fila do supermercado. A conversa sobre o nacionalismo europeu atraiu olhares recriminadores, afinal de contas comparar a situação do bloco ao regime de Hitler pode ser algo muito delicado. Ao passar pelo caixa, o jovem atendente baixou o tom de voz para confessar sua opinião: Essa decisão não vai dar em nada. A Europa precisa de nós tanto quanto nós precisamos da Europa. Ele preferiu permanecer anônimo, como muitos dos que falaram a respeito da lei aprovada na quarta-feira pelo Parlamento Europeu que http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/06/18/parlamento_europeu_aprova_prisao_de_imigrantes_ilegais_1370443.html target=_topvisa facilitar a expulsão de imigrantes ilegais, mas confessou trabalhar sem autorização do governo.BACKGROUND-COLOR: rgb(255,255,255)" / LONDRES - Foi assim que tudo começou na Alemanha nazista, opinou Samantha Foster, uma inglesa bem-humorada que conheci na fila do supermercado. A conversa sobre o nacionalismo europeu atraiu olhares recriminadores, afinal de contas comparar a situação do bloco ao regime de Hitler pode ser algo muito delicado. Ao passar pelo caixa, o jovem atendente baixou o tom de voz para confessar sua opinião: Essa decisão não vai dar em nada. A Europa precisa de nós tanto quanto nós precisamos da Europa. Ele preferiu permanecer anônimo, como muitos dos que falaram a respeito da lei aprovada na quarta-feira pelo Parlamento Europeu que http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/06/18/parlamento_europeu_aprova_prisao_de_imigrantes_ilegais_1370443.html target=_topvisa facilitar a expulsão de imigrantes ilegais, mas confessou trabalhar sem autorização do governo.BACKGROUND-COLOR: rgb(255,255,255)" /

Imigrantes ilegais dizem não temer nova lei européia

BACKGROUND-COLOR: rgb(255,255,255)LONDRES - Foi assim que tudo começou na Alemanha nazista, opinou Samantha Foster, uma inglesa bem-humorada que conheci na fila do supermercado. A conversa sobre o nacionalismo europeu atraiu olhares recriminadores, afinal de contas comparar a situação do bloco ao regime de Hitler pode ser algo muito delicado. Ao passar pelo caixa, o jovem atendente baixou o tom de voz para confessar sua opinião: Essa decisão não vai dar em nada. A Europa precisa de nós tanto quanto nós precisamos da Europa. Ele preferiu permanecer anônimo, como muitos dos que falaram a respeito da lei aprovada na quarta-feira pelo Parlamento Europeu que http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/06/18/parlamento_europeu_aprova_prisao_de_imigrantes_ilegais_1370443.html target=_topvisa facilitar a expulsão de imigrantes ilegais, mas confessou trabalhar sem autorização do governo.BACKGROUND-COLOR: rgb(255,255,255)

Carolina Ribeiro Pietoso, repórter iG em Londres |


Na última quarta-feira, um polêmico conjunto de regras sobre as políticas de repatriação de imigrantes nos 27 países da União Européia recebeu a última aprovação necessária pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor em 2010. Os parlamentares concordaram que imigrantes ilegais podem ser detidos por até 18 meses e impedidos de retornar ao bloco em um período de até cinco anos.

A União Européia estima que oito milhões de imigrantes trabalham ilegalmente na região, mas mesmo com a garantia de anonimato foi difícil fazer com que essas pessoas saíssem das sombras. "Não gosto de ser ilegal, pois vivo com medo. Eu confio em você hoje e amanhã posso estar algemado num avião de volta para o Brasil", disse Luís. Em Londres ele encontrou um emprego em um bar e sustenta não apenas suas necessidades básicas aqui, mas também sua mulher e filhos em Goiânia. "Eu vim com visto de estudante que consegui me matriculando num curso de inglês que nunca freqüentei. O visto venceu e eu fiquei. Estou aqui há quatro anos e vou ficar mais dois para terminar de pagar minha casa e fazer um pé de meia. Acho que se ficar quieto no meu canto não serei preso nem deportado. Muitas pessoas estão nessa mesma situação".

Fabiano, outro brasileiro que também vive no país, não tinha conhecimento da lei. "Acho que a questão da imigração está em alta porque tem muita gente vindo para a Europa fazer besteira, o mercado de trabalho aqui está ficando saturado e os europeus estão percebendo que abriram mão de sua cultura e querem voltar atrás", afirmou. Ilegal desde janeiro, ele trabalha como garçom e junta dinheiro para seguir para a Alemanha. "Ouvi dizer que em Berlim se ganha mais dinheiro, então quero ir para lá. Mas vou esperar minha cidadania italiana sair". Como muitos brasileiros, ele tem direito à dupla nacionalidade por causa da ascendência européia e aposta no documento para sair da ilegalidade.

Ainda que os defensores dos direitos humanos digam que a nova lei vai encorajar a prisão de mais imigrantes ilegais, muitos duvidam dessa possibilidade. Adam, um norte-americano que vive ilegalmente na Itália disse que é impossível que as autoridades consigam localizar e prender todos os imigrantes que vivem sem a documentação necessária. "Eles vão prender os que praticam atos ilegais e se expõe", afirmou. "Se quiserem prender todos os imigrantes ilegais a Europa vai virar uma enorme prisão". Quando questionado sobre os motivos de sua imigração, Adam afirmou que nunca se sentiu americano e que as pessoas deveriam ter direito de ir e vir, como garante a Declaração dos Direitos Humanos. "Eu sou cidadão da Terra", disse com convicção.

A jovem Samantha, que trabalha numa loja beneficente, foi além das comparações históricas ao dizer que " essa lei demonstra ainda mais que existe a imigração aceitável e a não aceitável. Há mais imigrantes ilegais da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul em Londres do que dos países de terceiro mundo. Eles deixam o visto vencer e continuam trabalhando sem problema algum, nem se preocupam, nem são tratados como imigrantes. Obviamente o que incomoda as pessoas é a diferença cultural trazida pelos muçulmanos, asiáticos e africanos".

Para ela, a imigração é essencial para a Europa. "Os imigrantes ilegais são vistos de duas formas por aqui: ou como exploradores do dinheiro público, que buscam asilo e se apóiam no dinheiro dos contribuintes sobrecarregando o sistema ou trabalhadores esforçados que assumem os subempregos que os próprios ingleses não querem", explicou, acrescentando acreditar "que as pessoas ainda escolhem ver os imigrantes de acordo com sua origem e esquecem que sem eles toda a Europa ruiria" .

Em Londres há oito anos, a colombiana Sílvia não se considera uma imigrante ilegal. "Eu vim pra cá estudar inglês, consegui um emprego como babá e fiquei. Nem sempre respeitei os limites impostos pelo meu visto de estudante. Mas pago meus impostos e levo uma vida honesta", ela diz. "Os empregos que eu consigo não são para ingleses, então não sinto que estou prejudicando ninguém. Aqui eles não trabalham porque não querem e eu duvido que essa lei vá mudar alguma coisa".

"O que as autoridades querem é impedir o contrabando, as atividades ilegais. Não acredito que ninguém virá bater na porta da loja onde eu trabalho para me levar para a cadeia", afirmou a carioca Priscila, ilegal na França há dois anos. Caso isso aconteça ela pretende usar a nova lei para se defender na justiça. "Pelo menos agora os imigrantes terão a chance de um julgamento justo. Eu tenho amigos que nem sequer conseguiram entrar na Europa, que foram detidos para interrogatório no aeroporto e devolvidos para o Brasil sem nem saber o motivo".

Por outro lado, o venezuelano José disse entender os europeus. "Viver em Londres hoje em dia é uma piada, ninguém mais fala inglês. Os ingleses se sentem na obrigação de respeitar a cultura dos outros enquanto a cultura deles é varrida das ruas da capital junto com o lixo produzido pelos imigrantes. Eu vivo aqui há dois anos e nunca conheci um londrino, mas posso dizer que conheço gente do mundo todo e que todos são ilegais", conta. "Meu irmão vive em Madri e conta que por lá a situação é semelhante. Por isso, eu acredito que as grandes cidades européias viraram um centro de trabalho sem muita identidade. Os europeus terão que se contentar em manter sua cultura nas cidades menores caso queiram fazer parte do mundo como ele é hoje e abandonar a idéia dessa lei porque seria impossível prender todos os ilegais".

A nova lei terá de ser implementada pelos países membros em até dois anos, mas não será adotada pela Grã-Bretanha e Irlanda. Há quem diga que isso irá ampliar o fluxo de imigrantes para esses dois países, mas por outro lado mesmo com novas leis seria impraticável impedir o movimento migratório no mundo de hoje. "Meus pais são jamaicanos, ou seja, de uma colônia inglesa. Eles vieram para Londres nos anos 60 para trabalhar e aqui tiveram filhos ingleses. Minha irmã se mudou para a África do Sul, onde formou família. A verdade é que o mundo está cada vez mais conectado e as fronteiras não passam de uma ilusão política e econômica", afirmou a analista de sistemas inglesa Jessica Bromley. Para ela e muitos outros, os imigrantes ilegais nao têm o que temer.

Leia mais sobre: imigração  - União Européia

    Leia tudo sobre: imigraçãounião européia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG