Imigrantes ilegais continuam cruzando fronteira dos EUA, diz estudo

Tucson (EUA.), 10 jun (EFE) - A política do Governo dos Estados Unidos de aumentar a segurança na fronteira com o México com um muro e o uso de alta tecnologia não serviu para desanimar os imigrantes ilegais, que continuam cruzando a fronteira, segundo um estudo divulgado hoje pelo Centro de Política de Imigração (IPC).

EFE |

"Apesar das dificuldades e da construção de um muro fronteiriço, os imigrantes que fazem a travessia não desanimaram", assegurou em entrevista por telefone Wayne Cornelius, diretor do Centro de Estudos Comparativos da Universidade do Califórnia em San Diego.

Entre 2005 e 2007, pesquisadores do centro entrevistaram mais de três mil imigrantes em quatro estados do México e mexicanos "imigrantes ilegais" nos Estados Unidos.

Os resultados do estudo se centram particularmente nas pesquisas realizadas em 2007 em uma cidade localizada no estado de Oaxaca (sul).

"Nesta população, 37% dos adultos emigraram aos EUA, atraídos por melhores salários e trabalhos", afirmou Cornelius, que também fez parte da equipe investigadora.

Além disso, 67% dos entrevistados qualificaram de "muito difícil" escapar da Patrulha Fronteiriça quando atravessam a fronteira, 91% sabem que "é muito perigoso" fazer a travessia sendo "imigrantes ilegais" e 24% conhecem pelo menos alguém que morreu tentando.

Cerca de 43% disseram temer o clima do deserto, 23% demonstraram medo da Patrulha Fronteiriça, enquanto 17% estão mais preocupados com os bandidos que assaltam os imigrantes.

Apenas 5,8% temem o muro e 2,4% mencionaram os grupos de vigias.

O estudo ressalta que cerca de 47% dos imigrantes ilegais de Oaxaca que cruzaram a fronteira nunca foram detectados pela Patrulha Fronteiriça.

Cornelius indicou que o reforço da segurança fronteiriça teve outro tipo de conseqüências, como uma menor "circulação" de imigrantes, já que anteriormente os homens cruzavam a fronteira e voltavam a seus povoados de origem após ter trabalhado alguns meses nos Estados Unidos.

"Agora, os homens ficam aqui perante o risco e os altos custos de atravessar a fronteira, o que pode ser um fator de um menor número de detenções na fronteira", acrescentou o investigador.

Em sua opinião, outra conseqüência foi o uso necessário de traficantes, mais conhecidos como "coiotes".

"O uso do 'coiote' já não é algo opcional, agora é "indispensável", assegurou o professor.

Ele disse que, desde 1995, as tarifas cobradas pelos contrabandistas triplicaram.

Se em 1995 um cidadão de Oaxaca pagava US$ 975 por sua travessia aos EUA, entre 2005 e 2007 o valor aumentou para US$ 2.100.

O estudo afirma também que são mais freqüentes imigrantes ilegais cruzando fronteiras através das guaritas de entrada, seja em compartimentos secretos dentro de veículos ou usando documentos falsos. EFE ml/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG