Imigrantes haitianos são atacados na República Dominicana

Uma onda de agressão contra imigrantes haitianos na República Dominicana, que já causou a morte de cinco pessoas e a repatriação de dezenas ao Haiti, ameaça conturbar as relações entre os dois países que dividem a ilha Hispaniola. Os ataques contra os haitianos começaram no início da semana, quando um deles morreu depois de ter sido agredido com pedras e paus na cidade de Neyba, no sudoeste dominicano, em represália pelo assassinato de uma dominicana por um imigrante, segundo informações da polícia local.

BBC Brasil |

Em outro incidente, um grupo de dominicanos incendiou várias casas de haitianos em vingança contra a morte de um agricultor dominicano de 80 anos, supostamente assassinado por um imigrante, na cidade de Guayubín, noroeste do país. Os imigrantes, no entanto, conseguiram fugir.

Além disso, 12 imigrantes ficaram feridos em agressões de dominicanos em Neyba, enquanto cerca de cem haitianos se refugiaram em instalações militares para não ser atacados, disse o porta-voz da polícia, Nelson Rosario.

Incidentes "isolados"
Dezenas de haitianos pediram para ser repatriados para fugir das agressões.

Em entrevista à BBC Mundo, o vice-presidente dominicano, Rafael Albuquerque, condenou as agressões contra os haitianos e advertiu que "não se deve fazer justiça com as próprias mãos".

"Pedimos aos dominicanos que se, de algum modo, tiveram seus direitos afetados por um cidadão haitiano, que apresente a queixa à Justiça, mas que de nenhuma forma esses incidentes de fazer justiça com as próprias mãos se repitam na República Dominicana."
Albuquerque está a frente do país enquanto o presidente, Leonel Fernandéz, participa da Cúpula Ibero-Americana em El Salvador.

O vice-presidente descartou que as relações entre Haiti e República Dominicana tenham sido prejudicadas pela perseguição aos imigrantes, mas em declarações à revista dominicana Clave Digital, o embaixador haitiano em São Domingo, Fritz N. Cinéas, disse que as relações diplomáticas com a República Domincana "são delicadas".

"Qualquer indivíduo ou organização interessada em prejudicar as relações pode fazer um ato que desestabilize essas relações, porque são relações delicadas. Não somente delicadas, são, eu diria, precárias. Precárias no sentido de que qualquer gesto não amistoso pode desestabilizá-las", disse Cinéas.

O diplomata, inclusive, se reuniu com o ministro do Exterior dominicano, Carlos Morlaes Troncoso, para discutir a situação, mas afirmou que "essas não são coisas de governo, são coisas de indivíduos".

O vice-presidente dominicano disse que a segurança militar foi reforçada nas áreas onde há alto número de imigrantes haitianos, para evitar novos incidentes.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG