Imigrantes brasileiros protestam em meio a alta recorde de desemprego no Japão

O dia 1 de maio foi marcado no Japão pela notícia do aumento acima do esperado do índice de desemprego, que subiu para 4,8% em março, e por protestos de trabalhadores por todo o país. Em Tóquio e em Hamamatsu, imigrantes brasileiros também fizeram manifestações, em protesto contra a discriminação de estrangeiros no mercado de trabalho.

BBC Brasil |

Segundo o Ministério das Comunicações e Assuntos Internos, 670 mil pessoas perderam o emprego em março. No total, o país tem hoje pouco mais de 3,3 milhões de desempregados.

Na comparação com fevereiro, a taxa de desemprego teve um aumento de 0,4%, considerado pelo governo japonês um aumento mensal recorde. É o mais rápido crescimento desde 1967.

De acordo com os dados apresentados pelo governo, existem hoje no Japão 100 desempregados para cada 52 vagas. Esse é o índice mais baixo desde 2002.

Kaoru Yosano, ministro da Economia e Política Fiscal, disse à imprensa japonesa que o governo está tentando melhorar a situação do mercado de trabalho com um conjunto de medidas para combater a crise.

Entre as ações está o fornecimento de uma ajuda pública para que as empresas não demitam os funcionários. Somente em março, mais de 48 mil empresas pediram esse subsídio do governo. O número é 57,5% maior que o mês anterior.

No entanto, a maioria dos analistas e sindicalistas dizem não acreditar que a situação vá melhorar a curto prazo. "A situação é difícil, principalmente para imigrantes", disse à BBC Brasil Sachi Takaya, vice-presidente da Rede de Solidariedade com Migrantes do Japão. "Nós prevemos que vai haver muito mais demissões ainda esse ano", emendou.

Protestos

Diversos protestos foram realizados por todo o Japão. Em Tóquio, os sindicatos da região conseguiram reunir cerca de 10 mil pessoas, que participaram de um ato público e, depois, seguiram em passeata pelas principais ruas do centro.

Além de empregos, os manifestantes exigiam mais rigidez do governo contra os abusos de empresas, ajuda à famílias necessitadas, entre outros pedidos.

Grupos de imigrantes brasileiros também participaram das manifestações. Na capital japonesa, um pequeno grupo, carregando bandeiras do Brasil, protestou contra a discriminação contra estrangeiros.

"Na fábrica onde trabalhava só os brasileiros foram demitidos", contou Paulo Roberto Ito, 36. Há 17 anos no Japão, o paulista trabalhou por 10 anos numa fábrica de alumínio e, em fevereiro deste ano foi cortado, junto com outros conterrâneos.

"Não queremos ir embora daqui, mas precisamos ser tratados com direitos iguais aos dos japoneses", disse o brasileiro, que vive do seguro desemprego e teve de se mudar com a família para casa do sogro.

Outra brasileira, Mieko Shinkai, de 60 anos, de Belém (PA), emocionou os japoneses com sua história. Ela teve a oportunidade de contá-la durante a manifestação.

Vítima de acidente de trabalho, a brasileira perdeu parcialmente a audição, foi demitida e agora tenta receber a indenização a que teria direito.

Em Hamamatsu, na província de Shizuoka, cidade que concentra a maior comunidade brasileira do Japão, cerca de 300 brasileiros participaram de uma passeata organizada pelos sindicatos locais.Além de fazer revindicações trabalhistas, eles protestaram contra a ajuda de US$ 3 mil dólares que o governo japonês está dando para brasileiros e peruanos deixarem o Japão.

Na cidade, segundo associações locais, cerca de 30 famílias já deram entrada no pedido e devem embarcar de volta ao Brasil no começo de maio. Mas muitos dekasseguis consideram a medida discriminatória e reclamam do fato de o governo não permitir que os beneficiados pelo esquema possam retornar ao Japão a curto prazo.

Dados contraditórios

Outro dado divulgado nesta sexta-feira pelo governo mostra que os gastos familiares na segunda maior economia do mundo tiveram uma queda de 0,4% no mês passado.

Os anúncios de hoje fecham uma semana de dados conflitantes. Na quinta-feira, o Japão comemorou uma leve recuperação na produção industrial de 1,6%, registrada em março.

Nesta mesma semana, o Banco do Japão disse que a recessão vai continuar até pelo menos 2010.


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