Imigração ilegal leva Itália a declarar estado de emergência

ROMA - O Conselho de Ministros da Itália aprovou nesta sexta-feira a declaração de estado de emergência em todo o território nacional, devido ao persistente e excepcional afluxo de cidadãos estrangeiros, não pertencentes à União Européia (UE).

Redação com agências internacionais |

A decisão tem o objetivo de "potencializar as atividades de contraste e de gestão do fenômeno", informou um comunicado divulgado pelo governo. 

A proposta de ampliar o estado de emergência a todo o país foi feita pelo ministro do Interior, Robert Maroni. "A emergência pela imigração havia começado em 2002, mas havia sido limitada a quatro regiões", acrescentou. 

O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, declarou, na saída do Conselho, que "a extensão do estado de emergência de clandestinos a todas as regiões da Itália não comportará um maior emprego do exército ou medidas de segurança especiais diferentes daquelas já utilizadas pelo governo". O ministro ressaltou que a decisão "significa apenas que todas as regiões poderão dispor com maior facilidade dos fundos para a criação de novos centros de identificação e expulsão de imigrantes clandestinos (Cpt)".

Com a medida aprovada hoje, "vamos estendê-la para todo o território", explicou o ministro da Simplificação do Programa, Roberto Calderoli. No entanto, duas embarcações com 147 imigrantes clandestinos foram interceptadas a poucos quilômetros da costa da ilha siciliana de Lampedusa por uma lancha da guarda costeira. 

Lampedusa, região da Sicília e território mais próximo da costa africana, é um dos principais destinos de chegada de imigrantes procedentes da África e Ásia.

"Declaração de guerra"

A medida acirrou o debate entre governo e oposição no país e foi duramente criticada pela oposição e por ativistas dos diretos humanos.

A oposição critica duramente a decisão. "Uma declaração de guerra aos cidadãos extra-comunitários", definiu o deputado do Partido dos Comunistas Italianos (Pdci), Pino Sgobbio, "na Itália, existe apenas uma emergência: a democracia".

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, "deve explicar as razões" que levaram à declaração do estado de emergência, afirmou o deputado do Partido Democrático, Mario Barbi, uma medida, segundo o deputado oposicionista, que "não tem precedentes nem justificações".

"Para esse governo, o comum se torna sempre emergência", afirma Antonio Di Pietro, ex-magistrado do caso Mãos Limpas e líder do partido Itália dos Valores, que organizou em 8 de julho um protesto contra o governo reunindo 10 mil pessoas em Roma.

"Assim, o executivo se concede maior liberdade de manobra. É uma maneira de ter as mãos livres para retirar das instituições da lei sua própria função, isso vale para o Parlamento e para todas as outras instituições", concluiu.

A responsável pelas operações da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Itália, Loris De Filippi, afirmou à Ansa que a situação da chegada de imigrantes na Itália é "estável e estrutural desde 2002" e que não se pode falar objetivamente de emergência.

"Estamos em Lampedusa desde 2002 e não entendemos o motivo deste procedimento". A ativista admite que "desde janeiro deste ano, os desembarques de imigrantes clandestinos aumentaram em 30% em relação a 2007", mas lembra que "em comparação a 2002, 2003 e 2004 os números são mais ou menos os mesmos".

Os aliados do governo, por outro lado, refutam as criticas da oposição e das ONGs. Para o deputado do partido Povo da Liberdade (Pdl), Italo Bocchino, "negar que o problema da imigração clandestina seja uma emergência nacional significa ignorar os dados sobre a criminalidade na Itália que a cada ano o Ministério dos Interiores divulga.

Se 2% das pessoas que vivem no nosso país se tornam 5% das pessoas presas e 40% da população carcerária, significa que existe uma evidente e estatisticamente documentada emergência".

(*Com informações da agência Ansa

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