Imigração dos EUA aplicou psicotrópicos em 250 deportados em 5 anos

Washington, 14 mai (EFE).- Os funcionários de Imigração dos Estados Unidos aplicaram injeções de remédios psicotrópicos em centenas de detidos estrangeiros para sedá-los durante seus vôos de deportação, denunciou hoje o jornal The Washington Post.

EFE |

O jornal afirma que identificou 250 casos desde 2003 nos quais, sem razões médicas, foram injetadas em deportados substâncias usadas para tratar doenças psiquiátricas graves.

O "Washington Post" cita prontuários médicos, documentos internos do Governo americano e entrevistas com vítimas como fontes da denúncia.

Entre os casos detectados, houve "dúzias" nos quais o "coquetel pré-vôo", como diz um dos documentos, teve efeitos tão potentes que os agentes federais tiveram que levar o deportado em uma cadeira de rodas até o avião.

Como exemplo, o jornal cita uma nota médica sobre uma deportada para a Costa Rica em 2005 que diz que a mulher, de 38 anos, apresentava "um passo instável. Caiu sobre o asfalto".

O uso de substâncias químicas para acalmar os detidos sem seu consentimento representa uma violação das normas aos direitos humanos internacionais, diz o "Washington Post".

As regras do Governo dos EUA só permitem sedar deportados caso sofram alguma doença mental que torne isso necessário ou se mostrarem-se agressivos a ponto de colocar em risco as pessoas em torno deles ou eles mesmos, algo do qual o Executivo fez caso omisso rotineiramente, diz o jornal.

A Agência de Imigração e Alfândegas (ICE, em inglês), órgão do Departamento de Segurança Nacional, é encarregado das deportações desde 2003.

O "Washington Post" denuncia que a ICE aumentou nos últimos cinco anos "as prisões e as deportações de estrangeiros que se encontram ilegalmente nos EUA, dos quais tiveram o pedido de asilo negado ou que foram declarados culpados de algum crime no passado". EFE mv/wr/db

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