Imersos em crise, mauritanos votam em massa para escolher líder

Maaruf Ould Udaa. Nuakchott, 18 jul (EFE).- Os mauritanos responderam hoje à convocação às urnas de forma tranquila e democrática e votaram em bom número para escolher o próximo presidente do país e pôr fim assim à crise gerada após o golpe de Estado.

EFE |

Os colégios eleitorais abriram as portas às 7h (4h, Brasília) e fecharam às 19h (16h), embora os resultados só vão ser divulgados amanhã.

Ainda que o Governo não tenha divulgado números oficiais sobre a participação, observadores e jornalistas coincidem ao afirmar que a afluência às urnas foi alta.

A atmosfera que imperou ao longo do dia foi de grande tranquilidade, segundo os observadores, apesar de, poucas horas antes de começar o pleito, um tiroteio em pleno centro de Nuakchott tenha manchado a jornada.

No incidente, foram detidos dois supostos terroristas da organização Al Qaeda no Magrebe Islâmico, que seriam os autores do assassinato há um mês do americano Christopher Logest.

O tiroteio não conseguiu, no entanto, conter uma pacífica jornada, apesar da acirrada disputa entre os principais candidatos: o general golpista e ex-chefe a Junta Militar, Mohammed Ould Abdelaziz, o líder da oposição parlamentar, Ahmed Ould Dadah, e o presidente da Assembleia Nacional, Mesaud Ould Buljeir.

Com menos opções de estar entre os dois candidatos em um eventual segundo turno está o também militar golpista Ely Ould Mohammed Vall, que dirigiu a transição à democracia entre 2005 e 2007.

Os nove candidatos mantiveram ao longo de hoje as declarações que fizeram durante a campanha das eleições, que surgem como fundamentais para o futuro do país.

Após votar, Abdelaziz reiterou sua certeza de que vai triunfar ainda no primeiro turno, o que levantou suspeitas entre a oposição de que o militar tenha preparado uma fraude eleitoral.

"A probabilidade de fraude continua", disse o coronel Vall após votar.

Ould Dadah, por sua vez, criticou o tiroteio em que foram detidos os dois supostos terroristas, e considerou o incidente um circo armado pelos serviços de segurança para reforçar a imagem de Abdelaziz.

A Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni) e os cerca de 300 observadores internacionais, porém, não denunciaram nenhuma violação das leis durante as eleições.

No entanto, isso não dá um certificado de transparência às eleições, já que para isso é preciso esperar por uma avaliação global após o fechamento dos colégios e a apuração dos votos.

Os mauritanos poderão acompanhar ao vivo por rádio e TV os resultados dos diferentes colégios à medida que forem sendo divulgados pelo Ministério do Interior.

Os quartéis-generais dos candidatos também devem fazer uma apuração própria graças à colaboração de seus emissários distribuídos por todo o país.

É provável que já no início de domingo seja divulgado se a Mauritânia tem um novo presidente ou se, em 1º de agosto, será necessário o segundo turno. EFE mo/rr

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