Imagens de satélite criam suspeita de que Irã faz 'limpeza' em complexo militar

Fotos sugerem descarte de material atômico antes de eventual visita de observadores internacional à instalação de Parchin

iG São Paulo |

AP
O representante do Irã na Agência Nuclear de Energia Atômica aguarda início de reunião em Viena
Diplomatas expressaram a preocupação de que o Irã esteja fazendo uma ‘limpeza’ para disfarçar as atividades nucleares no complexo militar de Parchin antes de permitir o acesso de observadores ao local. A suspeita foi levantada na quarta-feira, quando foram divulgadas imagens de satélite que mostraram caminhões e outros veículos na instalação.

As imagens foram divulgadas por um país membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que não foi identificado. O grupo está reunido em Viena para discutir a crise nuclear iraniana, e diplomatas disseram que as fotos sugerem que caminhões podem estar sendo usados para descartar material radioativo criado durante testes em Parchin.

Leia também: Israel pediu material bélico aos EUA para atacar o Irã, diz jornal

Uma autoridade israelense disse que as imagens comprovam a suspeita de que o Irã tenta construir uma bomba atômica, acusação que Teerã nega. “As fotos reforçam o que Israel diz desde o início: o programa nuclear iraniano não tem fins pacíficos”, afirmou à Associated Press, sob condição de anonimato.

Na terça-feira, o Irã afirmou que vai permitir a entrada de uma missão da agência nuclear da ONU ao complexo militar de Parchin, vetada no mês passado . A equipe da AIEA esperava inspecionar a instalação, localizada a sudeste de Teerã, onde acredita haver uma câmera de contenção para testar explosivos, sugerindo um possível desenvolvimento de armas atômicas.

Observadores da AIEA já visitaram Parchin em 2005, mas não tiveram acesso aos locais nos quais hoje acredita-se que a câmara de explosivos foi construída.

Nesta quinta-feira, as seis potências mundiais que concordaram em retomar as negociações com o Irã (Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha) fizeram um apelo para que o Irã autorize a inspeção no local.

Em declaração conjunta na reunião do conselho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), as potências também disseram "lamentar" a intensificação da atividade iraniana de enriquecimento de urânio.

Khamenei elogia Obama

Também nesta quinta-feira, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, saudou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por defender a diplomaci a e não uma ação militar como solução para crise nuclear.

De acordo com a TV estatal, Khamenei disse que a declaração de Obama abre uma “janela de oportunidade” diplomática. "Ouvimos o presidente dos Estados Unidos dizer que não estava pensando em uma guerra com o Irã. Estas palavras são boas e distantes da ilusão" disse Khamenei, num raro elogio a um líder americano.

O aiatolá, porém, criticou Obama pela parte de seu discurso em que defendeu a imposição de sanções ao Irã . A afirmação, segundo Khamenei, mostra a “incompreensão” e a “falta de realismo” da política americana.

Israelenses são contra ataque

Uma pesquisa publicada pelo jornal israelense Ha'aretz nesta quinta-feira mostra que mais da metade da população de Israel é contra um ataque militar do país contra o Irã.

De acordo com o levantamento, 58% dos entrevistados consideram que, se os Estados Unidos não atacarem as instalações nucleares iranianas, Israel não deverá tentar fazer isso sozinho. Apesar disso, mais da metade dos participantes da pesquisa dizem confiar no primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e no ministro da Defesa, Ehud Barak, para lidar com a ameaça nuclear iraniana.

Durante uma visita aos EUA no início da semana, Netanyahu disse que o tempo do Irã está se esgotando e defendeu a soberania de Israel na decisão sobre um ataque contra Teerã.

“Israel esperou a diplomacia funcionar, esperou as sanções funcionarem. Nenhum de nós pode esperar muito mais. Como premiê, jamais deixarei meu povo viver à sombra da aniquilação”, afirmou Netanyahu, em meio às discussões sobre um ataque contra o Irã para impedir o avanço de seu programa nuclear, ideia que os EUA consideram prematura.

Com AP, BBC, EFE e Reuters

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