Ilhado no Japão, jogador brasileiro diz esperar que o pior já tenha passado

Wilson da Silva, que não consegue deixar cidade de Hachimantai, acompanha com apreensão notícias sobre crise nuclear

BBC Brasil |

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Ilhado desde a sexta-feira na cidade de Hachimantai, no norte do Japão, o jogador brasileiro de futebol Wilson da Silva diz aguardar com apreensão as notícias sobre os vazamentos radioativos provocados pelo terremoto da semana passada, mas espera "que o pior já tenha passado".

Arquivo pessoal
O jogador brasileiro Wilson da Silva, que está no Japão há oito anos
"Acho que já passou o que tinha que passar", disse ele em entrevista à BBC Brasil por telefone, na noite desta terça-feira (manhã de terça-feira no Brasil). Silva, de 30 anos, está em seu oitavo ano no Japão, contando duas passagens pelo futebol do país.

Ele diz que no dia do terremoto, na última sexta-feira, correu para fazer estoques de produtos de primeira necessidade, orientado pelos amigos japoneses.

"Nunca tinha enfrentado uma situação assim", explica. "Estava na rua quando tudo começou a tremer, e meus amigos japoneses me disseram para comprar mantimentos e ir para casa", relata.

"Tenho um estoque de mantimentos suficiente para um mês, mas espero que a situação se normalize rápido", diz o ex-jogador do Juventus, de São Paulo.

Rachaduras

Por estar longe da costa, a cidade de Hachimantai, na região de Iwate, não foi atingida pelo tsunami gerado pelo terremoto da última sexta-feira. A localidade também não sofreu grandes consequências do tremor, mas Silva conta que ainda assim há sinais visíveis de rachaduras nas fachadas dos edifícios da cidade, entre eles no hotel usado como concentração pelo seu time, Unsommet Hachimantai Iwate, da terceira divisão do futebol japonês.

O principal temor da população local, agora, é a possível chegada da nuvem radioativa que vazou das usinas nucleares danificadas pelo terremoto e pelo tsunami. "O perigo agora é a radiação. Estou acompanhando o noticiário na TV para saber o que fazer", diz.

Silva conta que o principal problema após o tremor foi a comunicação com amigos e com a família, que mora em Santo André, na Grande São Paulo. "Ficamos sem energia, sem telefone. A bateria do celular estava descarregada, não consegui falar com ninguém por dois dias para dizer que eu estava bem", relata.

Quando finalmente conseguiu se conectar à internet, recebeu uma grande quantidade de mensagens de parentes e amigos. "Estavam todos muito preocupados, querendo saber o que havia ocorrido comigo", disse.

Sem opções

Abrigado na casa do treinador de seu time desde que chegou à cidade, no mês passado, ele diz que o acompanhará para onde ele for. "Ele tem parentes em Kyoto, que não sofreu nada. Se ele for para lá, vou com ele", afirma.

Por enquanto, no entanto, eles terão que permanecer em casa, porque não há como sair da cidade. "O trem bala está parado e a única opção é o trem normal, mas mesmo assim é perigoso. Também não há gasolina, então não dá para sair de carro", diz.

"Estamos praticamente presos aqui na cidade, sem opção", afirma.

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