Ilha de Hokkaido fica verde devido à cúpula do G8

Isabel Conde Numata (Japão), 25 abr (EFE).- Por ocasião da cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete países mais ricos do mundo e a Rússia), que terá o aquecimento global como tema principal, a ilha de Hokkaido (norte do Japão) se esforça para se mostrar mais verde, aproveitando suas montanhas brancas de neve quase perene.

EFE |

A cúpula do G8, realizada em julho na região montanhosa do Lago Toya, colocará Hokkaido no cenário internacional. Por isso, os habitantes da ilha mais ao norte do Japão não poupam esforços para serem considerados exemplo de ambientalismo.

As autoridades da ilha solicitaram esta semana aos habitantes de Hokkaido para que incluam sua montanhosa província na luta contra a mudança climática e reduzam as emissões de gases poluentes de cada lar em 10%, o que equivale a 1,1 quilo diário.

Além disso, várias empresas começaram a buscar maneiras de realizar suas atividades profissionais de modo que se polua o mínimo possível, utilizando os recursos naturais que Hokkaido dispõe, como a neve.

É precisamente a neve, que todo ano cobre uma grande parte da ilha até meados de abril, a fonte de uma avançada técnica ecológica de armazenamento que permite conservar durante meses milhares de toneladas de arroz de alta qualidade, conhecido como "arroz de neve".

Uma fábrica situada na cidade de Numata, a Snow Cool Rice Factory, armazena até 2.500 toneladas de arroz em 55 tanques especiais, até que a condensação da água de seus grãos seja de 14,5%, a ideal, segundo os promotores dessa técnica.

O arroz é conservado a uma média de cinco graus, para evitar seu congelamento ou a possibilidade de estragar, e em um ambiente com 70% de umidade, desde sua colheita em setembro até sua distribuição, em julho.

Essas condições são conseguidas graças a 15 mil toneladas de neve que são armazenadas em um depósito e que servem de sistema de refrigeração para toda a fábrica através de um mecanismo de ventiladores que distribui o ar frio.

"Uma tonelada de neve pode gerar a mesma energia que dez litros de combustível e, com a neve, reduzimos até 28,6 quilos das emissões de gases poluentes", disse à Agência Efe Isao Ito, um dos divulgadores da Snow Cool Rice Factory.

"A única eletricidade consumida na fábrica é a usada para iluminação e a que ativa os ventiladores", explicou.

O resultado, segundo seus divulgadores, é um arroz de alta qualidade que é vendido por entre 200 e 300 ienes (US$ 1,94 e US$ 2,91) mais caro por quilo distribuído de janeiro até julho no Japão e em Taiwan.

Por enquanto, só três fábricas do país, todas elas em Hokkaido, têm essa inovadora técnica, que está começando a ser utilizada para a conservação de outros alimentos, principalmente verduras, e para a climatização de lares particulares.

Na ilha de Hokkaido, as autoridades locais também iniciaram projetos educativos sobre o impacto negativo dos seres humanos no meio ambiente e são muitas as empresas que se esforçam para que seus produtos sejam fabricados de maneira sustentável.

Além disso, estão divulgando informações sobre como poluir menos e pediram a cada um dos 5,6 milhões de habitantes de Hokkaido que plantem 30 árvores durante toda a sua vida para compensar parte de seu impacto negativo no planeta.

Em 1997 o Governo japonês se comprometeu a reduzir em 8% o nível de suas emissões poluentes em 2012 em relação às registradas em 1990, no Protocolo de Kioto, mas a realidade é que são emitidas quase 8% a mais. EFE icr/bm/db

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