A batalha pela indicação democrata à eleição presidencial americana continuava neste sábado em Guam, uma pequena ilha do Pacífico projetada de repente sob os holofotes.

Cerca de 8.000 eleitores participaram da votação, um número duas vezes superior ao previsto pelos dirigentes políticos locais.

Às 02H00 de domingo (horário local), ou 13H00 de Brasília deste sábado, quando os resultados de 11 das 21 aldeias da ilha haviam sido apurados, Barack Obama tinha uma ligeira vantagem em relação a sua adversária Hillary Clinton, com 758 votos contra 680 para a ex-primeira-dama.

Nenhum dos dois candidatos fez campanha pessoalmente em Guam, mas ambos fizeram uma intensa propaganda eleitoral na rádio e na televisão locais para convencer os democratas da ilha a participar do cáucus deste sábado, que designarão apenas quatro delegados.

"Somos uma pequena ilha para a qual ninguém liga porque estamos a milhares de quilômetros de Washington", declarou Tes Venzon, morador de Hagatna, a capital do território que está sob tutela americana desde 1898 e tem 176.000 habitantes.

"Este acontecimento político nos dá a oportunidade de expressar nossas reivindicações locais, totalmente ignoradas por Washington", acrescentou.

Os eleitores de Guam não podem participar diretamente da eleição presidencial, já que a ilha de 541 km² não tem o estatuto de estado. A apenas três horas de avião do Japão, Guam está a cerca de 20 horas de vôo de Washington.

Palco de uma dura batalha entre soldados americanos e japoneses durante a Guerra do Pacífico, a ilha serviu de base à Aeronáutica e à Marinha dos Estados Unidos durante a guerra do Vietnã.

Guam segue sendo uma importante base militar americana no Pacífico. Cerca de 4.000 soldados estão mobilizados na ilha, e outros 8.000 devem se juntar a eles daqui a 2012, quando terão definitivamente abandonado a base de Okinawa, no Japão.

A acomodação destes militares e de suas famílias constitui o principal tema da campanha dos candidatos democratas em Guam. Obama, nascido no Havaí, se apóia no seu conhecimento da vida dos ilhéus, e Hillary lembra que viajou diversas vezes a Guam.

Além dos quatro delegados que serão designados ao término do cáucus, Guam também terá cinco "superdelegados" na Convenção que se reunirá no fim de agosto em Denver (Colorado), quando será designado oficialmente o candidato democrata à eleição presidencial de novembro.

De acordo com o site do jornal local Pacific Daily News, Hillary Clinton e Barack Obama teriam cada um o apoio de pelo menos um destes "superdelegados".

str/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.