Ike provoca evacuações em massa em Cuba depois de deixar 61 mortos no Haiti

Depois de ter provocado a morte de 61 pessoas no Haiti e importantes danos materiais nas Bahamas, o furacão Ike continuava nesta segunda-feira seu caminho devastador ao atingir Cuba, colocada em estado de alerta máximo e onde quase dois milhões de pessoas estão sendo evacuadas.

AFP |

As 14 províncias desta ilha de 11 milhões de habitantes estão nesta segunda-feira em estado de alerta máximo, que proíbe a circulação sem autorização especial, frente ao avanço para a parte oeste do país de Ike, que já provocou graves danos materiais ao arrasar a parte leste de Cuba na manhã desta segunda-feira.

O furacão Ike, de categoria 2 na escala Saffir-Simpson (que tem cinco níveis) e com ventos de 160 km/h, ameaça a capital Havana, mas também a província ocidental de Pinar del Rio e a Ilha da Juventude, que ainda não se recuperou da passagem do furacão Gustav, na semana passada.

Às 16H00 GMT (13H00 de Brasília), o centro do furacão estava próximo à costa sul das províncias centrais, e podia ganhar força "com o calor do mar" antes de atingir novamente o território cubano por seu lado ocidental terça-feira pela manhã, informou o Centro de meteorologia de Cuba (Insmet).

Segundo a trajetória prevista pelos meteorologistas, mas que ainda pode mudar, Ike deve deixar a parte ocidental de Cuba no fim da tarde de terça-feira nos arredores de Havana, e ameaçar em seguida o Golfo do México, onde estão concentradas 25% das instalações petrolíferas americanas.

A petroleira anglo-holandesa Shell anunciou nesta segunda-feira que iniciou a evacuação total dos funcionários que trabalham em suas instalações 'off-shore', o que provocará a interrupção de sua produção nesta zona do Golfo do México, que ainda não se recuperou da passagem do furacão Gustav.

Ike também pode atingir as ilhas Keys, na Flórida (sudeste dos EUA), entre terça e quarta-feira, antes de se dirigir para o Texas e a Louisiana, segundo previsões do Centro Nacional dos Furacões (NHC, sigla em inglês), com sede em Miami. As ilhas Keys foram colocadas em estado de alerta.

Em Cuba, "a situação está dramática" na província oriental de Holguin, que sofreu importantes danos materiais, segundo um correspondente da televisão cubana, que mencionou postes elétricos, árvores e tetos arrancados, casas inundadas e uma importante mina de níquel danificada.

Ondas de sete metros se abateram sobre as costas orientais da ilha, danificando ou destruindo centenas de casas, segundo a Defesa civil, que anunciou sete feridos mas nenhum morto.

"Tenho 59 anos e já vi vários furacões, mas nunca vi nenhum igual a este", afirmou por telefone à televisão cubana um morador de Camaguey (530 km ao sudeste de Havana).

Em Havana, onde vivem dois milhões de pessoas, moradores se preparavam para a chegada de Ike reforçando as janelas de suas casas.

No Haiti, as fortes chuvas provocadas pela passagem de Ike deixaram 61 mortos, 57 deles na aldeia de Cabaret (norte), segundo um balanço oficial.

O país mais pobre da América Latina foi completamente devastado pela passagem de três furacões (Fay, Gustav e Hanna) em três semanas. Mais de 580 pessoas morreram, e milhares estão desabrigadas.

Antes de arrasar Cuba, Ike devastou a ilha de Great Inagua, de cerca de mil habitantes, no sudeste das Bahamas, com a força de um furacão de categoria 4. Não houve vítimas, mas os danos materiais foram consideráveis.

O diretor do Insmet, José Rubiera, destacou que esta é a primeira vez que Cuba é atingida por dois furacões (Ike e Gustav) em apenas oito dias.

bur/yw

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