Ike atinge categoria 2 rumo ao Texas

O furacão Ike se fortaleceu nesta quarta-feira em seu avanço pelo Golfo do México até o Texas, atingindo a categoria 2, após deixar pelo menos 100 mortos no Haiti e quatro em Cuba.

AFP |

Às 18h GMT (15h de Brasília), o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, sigla em inglês) localizou o olho do Ike 410 km a oeste dos Keys da Flórida, distanciando-se de Cuba, que ainda é castigada por fortes chuvas, ventos e inundações.

Com ventos de até 155 km/h, o furacão subiu para categoria dois na escala Saffir-Simpson (máximo de cinco) e pode se fortalecer ainda mais nas águas quentes do Golfo, para chegar ao Texas com força três, segundo o NHC.

O Ike também ameaça as jazidas de petróleo do Golfo do México, onde os Estados Unidos produzem um quarto de seu petróleo e as gigantes mundiais do setor operam, e se dirige para o sul do Texas, aonde poderá chegar no início deste sábado.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou estado de emergência no Texas, o que permite a liberação de ajuda federal para apoiar os esforços locais.

O governador do Texas, Rick Perry, declarou ameaça de desastre em 88 condados e na zona costeira, ordenando evacuações obrigatórias.

Após a passagem de Ike pelo Caribe, o registro de óbitos chegava a 101 na cidade de Gonaïves, no Haiti, onde as passagens recentes dos furacões Gustav, Hanna e Fay já haviam deixado outros 500 mortos e milhares de desabrigados.

Em Cuba, o Ike deixou quatro mortos, dezenas de milhares desabrigados e 2,6 milhões de evacuados, além de arruinar extensas áreas de cultivos de banana, tubérculos, frutas, café e tabaco.

Boa parte da ilha estava paralisada, com lojas fechadas, sem luz, água, nem transporte público, enquanto que algumas cidades ainda eram invadidas pelo mar.

Brigadas de socorro atendiam aos desabrigados de todo o país, retiravam escombros, tentavam desobstruir vias e reabilitar as redes de comunicação e energia.

"Agora mesmo, estou pensando onde conseguirei água, para cozinhar. Aqui, somos três crianças e três adultos. A situação é muito difícil. Tudo está paralisado", disse à AFP Laritsa Hernández, uma garçonete de 35 anos, na porta de sua velha casa no centro de Havana.

As perdas são estimadas em bilhões de dólares, que se somam aos estragos causados há apenas dez dias pelo Gustav, que atravessou o oeste de Cuba, destruindo 140.000 casas, centenas de escolas, torres de energia e plantações em Pinar del Río e na Ilha da Juventude.

Ao pedir aos cubanos que se "levantem" e trabalhem na recuperação, o vice-presidente José Ramón Machado ressaltou que Ike e Gustav representam "um duro golpe para a economia cubana".

Em duas cartas enviadas ao presidente Hugo Chávez, o líder cubano Fidel Castro, afastado do poder por razões de saúde, disse a seu aliado que "nunca tinha visto um furacão como esse".

Enquanto isso, aumentavam nesta quarta-feira ofertas de ajuda de países como Brasil, Canadá, México e Venezuela, da União Européia e de organizações, como a ONU e a Cruz Vermelha Internacional, para ajudar o Caribe a se recuperar. Os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de dez milhões de dólares ao Haiti.

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