Igrejas e grupo cívico da África do Sul pedem reconciliação

O Conselho Sul Africano de Igrejas (SACC, na sigla em inglês) e a Organização Cívica Nacional Sul-Africana (Sanco) pediram nesta segunda-feira aos políticos que ajudem a conseguir uma reconciliação, após a comoção gerada no país pelo assassinato do líder ultradireitista branco Eugene Terreblanche.

EFE |

Em uma declaração divulgada nesta segunda-feira pelo secretário-geral, Eddie Makue, a SACC reivindica "um passo a frente" dos partidos para liderar a reconciliação "necessária para o país neste momento".

Makue pede também que "essa liderança exclua discursos incendiários ou canções que levem o país a violência", em referência à canção do período do "apartheid".

Há dois meses, o líder da liga juvenil do governamental Congresso Nacional Africano (CNA), Julius Malema, entoa em seus comícios essa canção, que na semana passada foi proibida pelos tribunais após várias denúncias de organizações políticas e de defesa dos direitos humanos.

O Congresso Nacional Africano (ANC, no poder) foi criticado por ter deixado o líder de seu movimento juvenil, o controverso Julius Malema, retomar um canto de luta anti-apartheid que pede que se "mate os boers" (os fazendeiros brancos).

"Estamos comovidos pelo assassinato de Terreblanche e condenamos e rejeitamos qualquer tentativa de justificar este ato", indica Makue, justificando que este fato pode "dividir o país" e "destruir os avanços na reconciliação" conquistados desde o fim do regime segregacionista do apartheid em 1994.

AP
Terreblanche, em 2005
Terreblanche, em 2005

O partido de Terreblanche, o Movimento de Resistência Afrikaner (AWB, na sigla em inglês), responsabilizou o governo, o CNA e, diretamente, Malema pelo assassinato e prometeu "vingança".

Segundo a polícia, o líder da ultradireita teria sido assassinado por dois empregados de uma fazenda após uma discussão pela falta de pagamento dos salários.

Os dois trabalhadores agrícolas, de 15 e 21 anos, empregados por Terreblanche se entregaram à polícia e admitiram ter se desentendido com o patrão por causa de salários não pagos. Na terça-feira serão levados à Justiça.

Terreblanche, de 69 anos, era a voz da oposição linha dura ao final do apartheid no início dos anos 1990, embora seu partido desde então tenha desempenhado um papel marginal e não tenha muito apoio entre os brancos, que perfazem até 10% da população.

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