Igrejas da Terra Santa lembram Sábado de Aleluia com o rito do fogo

Jerusalém, 3 abr (EFE).- A Basílica do Santo Sepulcro de Jerusalém celebra hoje a tradicional cerimônia do fogo sagrado com o fim das distintas igrejas da Terra Santa lembram o milagre da Ressurreição de Cristo.

EFE |

O Sábado de Aleluia é celebrado na primeira hora da tarde com o ritual, que data do ano 1106, e acontece na rotunda da basílica, onde a tradição situa o túmulo de Jesus.

O ato vai ser realizado sob estritas medidas de segurança, pois encerra certo perigo já que a igreja só conta com uma porta principal, o que traz sempre o risco de incêndio porque centenas de fiéis acompanham a cerimônia no interior do recinto.

O patriarca da Igreja Ortodoxa, Teófilos III, entrará no túmulo onde, após rezar uma prece que os fiéis acompanham cantando, recebe a "chama sagrada" que "desce" do céu - o milagre - em uma lâmpada de óleo, antes que amanhã, domingo, se lembre a Ressurreição no Monte das Oliveiras.

Em virtude do status quo que regula quem pode fazer o que e como no lugar mais sagrado para o cristianismo, o patriarca armênio, o primeiro povo que adotou o cristianismo como religião de Estado no ano 301, acompanha o líder da Igreja ortodoxa ao receber a chama.

E com ela os dignatários religiosos acendem as velas dos fiéis que, em multidão, se aproximam até eles antes de sair da basílica para distribuir o fogo por todos os peregrinos vindos de diferentes cantos do planeta, assim como para as casas dos fiéis da comunidade palestina que residem na cidade.

Vizinhos palestinos da cidade se queixaram que as forças de segurança israelenses ergueram postos de controle para impedir seu acesso à cidade velha de Jerusalém.

Outra das práticas tradicionais entre os devotos que vão aos santos lugares estes dias é levar algodão embebido em diferentes óleos e perfumes e jogá-lo sobre a "Pedra da Unção", de cor rosada e uma das últimas paradas da cruz situada à entrada do Santo Sepulcro, onde acredita-se que Jesus recebeu os últimos óleos ou a Unção dos Enfermos.

Os peregrinos da Igreja Greco-ortodoxa também costumam comprar uma tela de dois metros de comprimento por 80 centímetros de largura nas lojas do mercado árabe contíguo à basílica, e que em teoria tem as mesmas dimensões que a que cobriu Cristo e lhe serviu de mortalha no dia de sua morte, recordado ontem na Sexta-Feira Santa.

Por antigos acordos entre as diferentes igrejas governantes na Terra Santa, os ortodoxos gregos têm o controle da maior parte do Santo Sepulcro, assim como da Igreja da Natividade na cidade cisjordaniana de Belém.

Esta situação deu lugar a várias disputas com os católicos e outras correntes do cristianismo, especialmente quando coincidiram, como este ano, suas respectivas Páscoas.

À noite serão celebradas rezas vespertinas e uma liturgia das horas no altar de Maria Madalena.

Os católicos celebrarão amanhã a Ressurreição no Santo Sepulcro com uma missa pontifical, oficiada pelo patriarca latino, Fouad Twal, e uma procissão.

O último ato pascal será realizado na segunda-feira na aldeia palestina de Al Queiba, cerca de 11 quilômetros de Jerusalém, onde os frades franciscanos, que custodiam dos Santos Lugares há 800 anos, lembrarão a aparição de Cristo para os discípulos de Emaús.

EFE db/ma

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