Igreja ortodoxa russa prepara funeral de Alexis II e anuncia sucessor interino

A Igreja ortodoxa russa anunciou neste sábado ter escolhido o metropolita Kirill como sucessor interino de seu patriarca, Alexis II, falecido na sexta-feira. Kirill, de 62 anos, é tido como um reformista.

AFP |

"Em votação secreta, Sua Santidade, o Metropolita de Smolensk e Kaliningrado Kirill, foi escolhido guardião patriarcal", informou a Igreja em um comunicado.

O metropolita Kirill de Smolensk e Kaliningrado era um dos nomes favoritos para suceder o patriarca e, até esse momento, era a importante chefe do departamento de relações exteriores do Patriarcado, responsável pelas relações com as demais confissões.

O patriarca da Igreja ortodoxa russa, Alexis II, será sepultado na próxima terça-feira na catedral de Bogoyavlensky, em Moscou, confirmou a Igreja ortodoxa neste sábado.

"O funeral de Sua Santidade, o Patriarca Alexis II, acontecerá na catedral do Cristo Salvador no dia 9 de dezembro, e o enterro, de acordo com sua vontade, será realizado na catedral de Bogoyavlensky", indicou a Igreja.

Enquanto isso, o corpo do patriarca será exposto na imponente catedra, onde os fiéis poderão prestar sua última homenagem ao líder espiritual.

Um porta-voz do Patriarcado, Alexandre Volkov, declarou à AFP que o presidente russo Dimitri Medvedev e o primeiro-ministro, Vladimir Putin, deverão comparecer aos funerais.

Em relação ao sucessor definitivo de Alexis II, um sínodo no qual participarão bispos, representantes das ordens monásticas e laicos se reunirá num prazo de seis meses.

Segundo o especialista em religião ortodoxa, Serguei Filatov, da Academia de Ciências russa, o Kremlin poderá ter um papel-chave nos bastidores dessa eleição, pois Medvedev parece ter a intenção de apoiar uma melhoria das difíceis relações entre a Igreja ortodoxa e a católica romana.

Segundo alguns analistas, o atual sucessor interino muito provavelmente se converterá no futuro patriarca.

Em meio às homenagens ao patriarca Alexis II, que faleceu na sexta-feira aos 79 anos, persistem incômodas suspeitas de que o líder religioso tenha atuado como espião durante a União Soviética para a KGB.

Especialistas do serviço secreto russo que estudam os vínculos da Igreja ortodoxa com a KGB durante a era soviética afirmam que os escalões mais altos da congregação estavam cheios de informantes, entre eles Alexis II, que teria sido cooptado em 1958, recebendo o codinome "Drozdov".

O indício mais forte de que o patricarca teria colaborado com a KGB é um documento descoberto na Estônia nos anos 90, estudado pelo historiador Indrek Jurjo, diretor de publicações do Arquivo Nacional da Estônia.

Alexis II teve uma trajetória bem sucedida dentro da Igreja graças à boa vontade em cooperar com as autoridades soviéticas, o que, entre outras coisas, permitiu que ele visitasse "países capitalistas" acompanhado de delegações eclesiásticas como contrapartida, afirma Jurjo.

Praticamente todos os bispos ortodoxos ordenados na URSS trabalharam para a KGB, garante por sua vez o padre Gleb Yakunin. Na época, ele era um vigário dissidente e ativista dos direitos humanos. Na década de 90, estudou os arquivos do serviço secreto sobre as lideranças religiosas.

Agora, muitos desses bispos devem escolher o sucessor de Alexis II, que passou de seminarista na Estônia a líder espiritual da Igreja ortodoxa russa, que congrega milhões de fiéis.

Alexis II nunca admitiu abertamente ter trabalhado como informante, e a Igreja ortodoxa nega até mesmo informações que apontam para uma ampla infiltração da KGB, apesar de várias revelações feitas pela imprensa russa nos anos 90.

ao/ap/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG