Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Igreja Ortodoxa Russa perde seu patriarca desde os tempos da URSS

Ignacio Ortega. Moscou, 5 dez (EFE).- O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) desde os tempos da União Soviética (URSS), Alexei II, morreu hoje aos 79 anos de idade de parada cardíaca.

EFE |

"O patriarca Alexei morreu. Ocorreu hoje de manhã", informou Vladimir Viguilianski, porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa, segundo a agência oficial "Itar-Tass".

Alexei II, que tinha sofrido vários infartos nos últimos anos, se sentiu mal esta manhã em sua residência de Peredelkino, nos arredores de Moscou. Seus ajudantes chamaram os serviços de emergência, mas os esforços foram inúteis.

O patriarca da Igreja Ortodoxa, que nasceu em Tallinn, na Estônia, tinha retornado há quatro dias da Alemanha, onde foi submetido a três semanas de tratamento.

Imediatamente, o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa convocou uma reunião urgente para sábado para decidir a data do enterro e iniciar o mecanismo de sucessão.

Segundo reza a tradição, o Sínodo deveria publicar uma lista de candidatos para liderar a Igreja Ortodoxa Russa, entre os quais o favorito seria o metropolita Kiril, de Smolensk e Kaliningrado, chefe do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou.

Kiril fez recentemente uma viagem pela América Latina na qual visitou vários templos e que incluiu um encontro com Fidel Castro em Havana.

O novo líder espiritual dos ortodoxos, que deve ser eleito nos próximos seis meses, deve cumprir os seguintes requisitos: ser prelado, ter educação teológica superior, experiência em administração de diocese, ser leal à ordem canônica, ter boa reputação, ser da confiança de hierarcas, clero e povo, e ter mais de 40 anos.

A direção da IOR será assumida provisoriamente pelo metropolita Yuvenali de Krutitski e Kolomenski, membro mais veterano do Sínodo, com 73 anos.

Em diversos templos da Rússia, os crentes foram hoje rezar pela alma do patriarca, enquanto as pessoas se amontoavam perante sua residência oficial para depositar rosas brancas.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, que foi batizado nos padrões ortodoxos aos 23 anos, em tempos da Perestroika (1989), enviou uma mensagem de condolências de Nova Délhi e suspendeu sua visita à Itália para acompanhar as exéquias.

Alexei II "era um autêntico líder espiritual", "exemplo de firmeza moral" e "pastor que esteve com seu rebanho em dias de perseguições e de renascimento da fé", disse o presidente russo.

"Todos choramos sua morte. Também é uma grande perda para mim", afirmou o chefe de Estado.

Por sua vez, o primeiro-ministro, Vladimir Putin, que mantinha uma estreita relação com o patriarca, disse que sua morte é uma "notícia muito trágica" e o descreveu como "a principal figura da história da Igreja Ortodoxa Russa".

O ex-dirigente soviético Mikhail Gorbachov se mostrou hoje "comovido" com a notícia, já que disse "respeitar profundamente" o patriarca.

Uma das reações mais inesperadas foi a do líder comunista ateu, Gennady Ziuganov, que louvou o trabalho social de Alexei, enquanto Natalia, a viúva do escritor Alexander Solzhenitsyn, assegurou que a perda do patriarca supõe "uma dura prova para o país".

Por sua vez, a chefe da Casa Imperial russa, a grã-duquesa Maria Romanova, residente em Madri e que contou sempre com o apoio de Alexei em sua luta pela reabilitação do último czar, Nicolau II, viajará à capital russa para assistir ao enterro.

Alexei II, que sucedeu Pimen I à frente da IOR em junho de 1990, um ano antes da queda da URSS, foi o primeiro patriarca ortodoxo eleito por voto secreto.

Na época, só uma minoria de cidadãos soviéticos dizia ser crente e apenas algumas dezenas de paróquias funcionavam.

Desde o princípio, Alexei II manteve uma relação muito fluente tanto com o primeiro presidente democraticamente eleito da história da Rússia, Boris Yeltsin, quanto com seus sucessores, o que permitiu que a IOR recuperasse propriedades desapropriadas pelos comunistas.

Durante seu mandato, teve algumas divergências com a Igreja Católica, à qual acusou de fomentar o proselitismo na zona de influência da IOR, embora as relações tenham melhorado desde a nomeação de Bento XVI como pontífice.

Segundo uma enquete divulgada recentemente pelo Centro Levada, 42% dos russos se consideram crentes, dos quais 71% se disseram ortodoxos, 5% muçulmanos, 5% ateus e 1% católico. EFE io/ab/rr

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG