A Igreja católica celebrará pela primeira vez em quatro séculos missa em Roma em honra do célebre cientista italiano Galileo Galilei (1564-1642), levado à Inquisição pela tese heliocêntrica que defendia, informou nesta sexta-feira a assessoria de imprensa do Vaticano.

A missa será celebrada na Basílica de Santa Maria degli Angeli por monsenhor Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, por iniciativa da World Federation of Scientists, precisa o comunicado da Santa Sé.

Há alguns equívocos quanto à morte de Galileu, pois não foi ele o cientista queimado vivo por sua concepção astronômica, mas Giordano Bruno (1548-1600) condenado à morte por heresia nos tribunais da Inquisição, ao defender idéias semelhantes. Galileo Galilei morreu em Arcetri ao lado da filha Maria Celeste e de seus discípulos, de forma piedosa. Foi enterrado na Basílica de Santa Croce em Florença, onde também estão Machiavelli e Michelangelo.

A missa será asistida por cientistas de várias nacionalidades, entre eles chineses que vão doar uma estátua de bronze do pai da astromonia.

O Vaticano, que organizou este ano várias conferências sobre o cientista, anunciou ano passado a reedição das atas do processo de Galileu para refrescar a memória dos que acusam a Igreja católica de ter condenado o célebre físico.

A condenação de Galileu à prisão, pronunciada em 1633 pela Inquisição depois de um longo processo no qual corria o risco de ser levado à fogueira por ser herege, jamais foi assinada pelo Papa Urbano VIII.

Mas o sábio, defensor da tese heliocêntrica do universo, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, foi obrigado a se retratar e suas obras foram proibidas. Diz a história que, ao sair do tribunal do Santo Ofício após sua condenação, disse uma frase célebre: "Eppur si muove!", "contudo, ela se move", referindo-se à Terra. Galileu conseguiu comutar a pena de prisão a confinamento, primeiro no Palácio do Embaixador do Grão-duque da Toscana em Roma, depois na casa do arcebispo Piccolomini em Siena e, mais tarde, na sua própria casa de campo em Arcetri.

O Vaticano reconheceu progressivamente seus erros no caso Galileu.

As Nações Unidas proclamaram 2009 como o ano internacional da astronomia para comemorar a primeira utilização do telescópio por Galileu.

A Santa Sé admitiu recentemente que os "tempos estão amadurecidos" para um reconhecimento da figura de Galileu, sobretudo depois que o Concílio Vaticano II (1962-1965) que iniciou sua reabilitação, confirmada em 1992 pelo Papa João Paulo II, para quem o julgamento do físico italiano havia sido "um erro".

Em 1638, quando já estava cego, publicou Discorsi e Dimostrazioni Matematiche Intorno a Due Nuove Scienze em Leiden, na Holanda, a sua obra mais importante. Nela discute as leis do movimento e a estrutura da matéria.

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