Igreja Católica italiana pede fim de extremismos contra imigrantes

Roma - Dirigentes da Igreja Católica italiana afirmaram que é necessário interromper os extremismos contra os imigrantes após o surgimento de uma crise causada por ataques a vários assentamentos ciganos no país.

EFE |

"É necessário neutralizar os extremismos, que não podem ditar leis a ninguém e não podem ser considerados a realidade total de um povo", afirmou o presidente da Conferência Episcopal (CEI), o cardeal Angelo Bagnasco, em entrevista hoje ao jornal "La Repubblica".

Bagnasco expressou a solidariedade da Igreja para com todas as pessoas "que sofrem violência gratuita e incontrolável" e se mostrou a favor de criar condições "de amparo e dignidade" para todos os imigrantes "que respeitam as leis da convivência e se comprometem com uma integração real".

Segundo o líder da Igreja Católica, os casos de violência relativos à imigração ressaltam que a sociedade "sofre de uma forma crônica de individualismo que favorece e não atenua fenômenos diferentes".

O cardeal de Turim, Severino Poletto, em declarações ao "Corriere della Sera", diz: "Se não vigiarmos profundamente nosso pensamento, podemos ter atitudes racistas sem perceber".

Segundo Poletto, a remoção dos assentamentos ciganos não resolve o problema. "É preciso unir diálogo e segurança, legalidade e educação, justiça e caridade. Não acho que a solução seja mandar as escavadeiras retirarem tudo", declarou.

O cardeal de Nápoles, Crescenzio Sepe, condenou na última quinta a violência contra os ciganos registrada em vários assentamentos napolitanos, que foram queimados após incidentes entre ciganos e moradores da área.

Diante destes casos, ciganos de assentamentos de Roma organizaram rondas noturnas, temendo passar pelo mesmo o tipo de agressão que os de Nápoles.

"Temos medo, não vivemos. Há uma campanha contra nós, mas nem todos somos delinqüentes. Para defender nossas famílias e crianças passamos a noite em vigília", disse à imprensa local Redzib Hamidovic, um cigano vindo da Bósnia que vive no assentamento de Castel Romano, nos arredores de Roma.

Em meio à crise, o ministro do Interior Roberto Maroni deve se reunir hoje com o presidente do Governo, Silvio Berlusconi, e os titulares de Defesa e Justiça, Ignazio La Russa e Angelino Alfano, respectivamente, para estabelecerem medidas sobre segurança cidadã e contra a imigração clandestina.

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