Igreja Católica da Irlanda ocultou abuso infantil nos anos 1990

Casos de estupro e espancamento continuaram sendo encobertos mesmo após introdução de regras para proteger menores

Reuters |

Um relatório patrocinado pelo governo disse nesta quarta-feira que o alto escalão da Igreja Católica na Irlanda continuou a ocultar casos de abuso sexual de crianças por padres mesmo depois de ter introduzido as regras para proteger os menores em meados dos anos 1990.

As revelações de casos de estupro e espancamento cometidos por membros de ordens religiosas e por padres no passado afetaram o papel dominante da Igreja Católica na Irlanda.

Entretanto, o mais recente relatório sobre as acusações de abuso sexual na diocese de Cloyne, no condado de Cork, mostra que o clero ainda tentou encobrir as acusações de abuso praticamente até os dias de hoje.

"Esse não é o catálogo sobre o fracasso de uma era diferente. Não se trata da Irlanda de 50 anos atrás. Isso é sobre a Irlanda atualmente", disse a ministra para a Infância Frances Fitzgerald.

O relatório, que centra seu foco em 19 padres que supostamente abusaram de crianças durante o período que vai de janeiro de 1996 a fevereiro de 2009, lista como a diocese deixou de reportar todas as reclamações sobre abuso sexual à polícia e não registrou nenhuma queixa às autoridades de saúde entre 1996 e 2008.

O bispo anteriormente responsável pela diocese, John Magee, disse falsamente às autoridades que registrava todas as acusações de abuso à polícia, disse o relatório.

Ele renunciou em março do ano passado depois que uma investigação da Igreja ter dito que a sua condução nos casos de acusações de abuso havia exposto as crianças ao risco.

Magee divulgou um pedido de desculpas às vítimas nesta quarta-feira por não ter denunciado os abusos e afirmou que espera que o relatório "proporcione um novo começo ao qual todos esperávamos em 1996".

O governo deve submeter uma lei ao Parlamento prevendo a prisão de clérigos por até cinco anos caso eles deixem de reportar às autoridades informações sobre o abuso de crianças, disse o ministro da Justiça Alan Shatter.

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