Igreja boliviana buscará diálogo, apesar de críticas de Morales

Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - A cúpula da Igreja Católica boliviana assegurou na segunda-feira que levará adiante seus esforços para abrir um diálogo de conciliação política entre o governo e a oposição conservadora, não obstante as duras críticas que lhe foram feitas pelo presidente Evo Morales.

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Mas uma negociação sobre os projetos conflitantes de mudança constitucional, encabeçados por Morales, e autonomia para os departamentos (Estados), como pretendem opositores, teria lugar apenas após 4 de maio, dia para o qual foi convocado um referendo sobre a autonomia no distrito de Santa Cruz.

'Pensamos que as condições para o diálogo podem surgir após o 4 de maio', disse a estações de rádio o arcebispo da cidade central de Cochabamba, Tito Solari, informando que continua de pé a gestão de 'facilitação de diálogo' empreendida pela Igreja.

'O país se encontra num momento delicado (...) e queremos dizer a todos que tenham calma', acrescentou o arcebispo, referindo-se ao conflito que ameaça levar à violência e que preocupa especialmente a países vizinhos como Argentina e Brasil, que importam gás da Bolívia.

Solari falou um dia depois de o cardeal Julio Terrazas ter dado pouca importância a uma queixa irada de Morales contra a hierarquia católica.

Primeiro presidente indígena da Bolívia, Morales disse no sábado que se sente 'enganado' e 'traído' pela cúpula da Igreja, especialmente por uma declaração de Terrazas colocando em dúvida a existência de novas formas de escravidão de índios guaranis na região do Chaco, no sudeste do país.

O presidente destacou o papel do que chamou de 'Igreja de base', que, com uma Conferência Boliviana de Religiosos, apoiou os esforços do governo para libertar os guaranis e lhes entregar terras que desapropriaria de fazendeiros poderosos, os quais recentemente fizeram uma greve regional.

Enquanto isso, autoridades e líderes cívicos de Santa Cruz disseram que está quase tudo pronto para o referendo sobre um estatuto de autonomia para esse departamento oriental, motor econômico do país e bastião da direita que bloqueia a 'revolução democrática e cultural' de Morales.

O governo descreveu o referendo como ilegal e separatista e advertiu que o estatuto de autonomia não poderá entrar em vigor antes de uma compatibilização com a nova Constituição.

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