Igreja apoia golpe contra Zelaya em Honduras e se opõe a Chávez

TEGUCIGALPA - A poderosa Igreja Católica de Honduras apoiou a deposição do presidente Manuel Zelaya, eliminando as chances de atuar como mediadora imparcial do conflito no país.

Redação com Reuters |


Líderes da Igreja Católica, que segundo pesquisas é a instituição mais respeitada no conservador país centro-americano, apoiaram o golpe e colocaram seu peso por trás do governo interino instalado pelo Congresso hondurenho.

As forças políticas e militares que derrubaram Zelaya em 28 de junho citaram Hugo Chávez como um dos fatores que os levaram ao golpe, alegando temer que o presidente hondurenho estivesse adotando o modelo de socialismo e as táticas políticas do presidente venezuelano.

Eles acusam Zelaya de violar a Constituição ao buscar a ampliação do seu mandato por meio da retirada dos limites para a reeleição, como Chávez fez na Venezuela.

O cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que muitos creem estar numa pequena lista de possíveis candidatos a papa, justificou a destituição de Zelaya, embora tenha se oposto à expulsão dele do país.

"Ele não tem nenhuma autoridade, moral ou legal", disse o cardeal ao jornal espanhol El Mundo. "Ele perdeu a autoridade legal porque violou leis e a autoridade moral, ele perdeu com um discurso recheado de mentiras. A coisa mais patriótica que ele poderia fazer seria manter-se afastado. Qualquer outra coisa é simplesmente tentar impor o projeto de Hugo Chávez a qualquer custo", disse.

Chávez já trocou farpas com a Igreja Católica de Honduras no passado, chamando o cardeal Rodrigues de "papagaio" e "palhaço imperialista" em 2007. O cardeal classificou Chávez de um ditador que pensa ser Deus.

Chávez também já criticou a Igreja Católica em seu próprio país, acusando-a de aliar-se aos ricos em detrimento dos pobres.

A decisão da Igreja hondurenha de apoiar o golpe foi alvo de críticas. "A Igreja deveria adotar uma postura mais conciliatória", disse Efrain Dias, analista político da entidade não-governamental Centro para o Desenvolvimento Humano. "O país está dividido e precisa de um clima de reconciliação."

Ismael Moreno, padre jesuíta e comentarista de uma rádio que não integra a hierarquia da Igreja no país, também tece críticas. "A Igreja perdeu toda a capacidade de mediar", disse. "Perdeu toda a credibilidade."

O papel de mediador foi assumido pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que patrocinará uma nova rodada de negociações no fim de semana entre delegações que representam Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti.

Seguidores de Zelaya prometem protestos; assista ao vídeo:


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