A Igreja Anglicana está à beira do cisma, depois que o casamento de dois sacerdotes homossexuais em junho em Londres aprofundou as divisões da confissão.

O próprio arcebispo de Canterbury, Ronan Williams, chefe da Igreja Anglicana, advertiu para o risco, ao discursar para o setor tradicionalista - que não aceita a ordenação de bispos mulheres e de sacerdotes gays -, que decidiu se organizar de forma separada em um conclave que chegou ao fim no domingo em Jerusalém.

"Reflitam atentamente sobre os riscos que correm", alertou na segunda-feira Williams, que dirige uma comunidade de 77 milhões de fiéis no mundo.

"Se as estruturas existentes não funcionam, o desafio é reformá-las, não improvisar soluções que criam mais problemas do que resolvem", afirmou a principal autoridade anglicana, depois que os conservadores anunciaram que não reconhecerão mais a autoridade do arcebispo de Canterbury.

A Igreja Anglicana se encontra profundamente dividida desde que seu braço americano consagrou, em 2003, um reverendo abertamente homosexual, Gene Robinson, como bispo de New Hampshire (nordeste dos Estados Unidos).

A tensão aumentou ano passado com a escolha de uma mulher para comandar a comunidade anglicana dos Estados Unidos, que tem 2,5 milhões de fiéis.

A maior parte da Igreja Anglicana no mundo resiste à nomeação de mulheres como bispos e não aceita a homossexualidade. Muitas comunidades restringiram e inclusive romperam os vínculos com a igreja Episcopal americana depois da nomeação de Robinson em 2003.

bur/fp

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