Por Cynthia Johnston DUBAI (Reuters) - O Iêmen considera que cabe às suas forças enfrentar os militantes da Al Qaeda no país, e rejeita uma intervenção direta dos EUA, segundo seu chanceler.

O país mais pobre da Península Arábica passou à linha de frente da guerra contra a militância islâmica, depois que a Al Qaeda local reivindicou a autoria de um frustrado atentado contra um voo Amsterdã-Detroit no dia de Natal.

Questionado pela CNN sobre se o Iêmen aceitaria uma intervenção direta dos EUA, o chanceler Abubakr Al Qirbi disse: "Não, não acho que iremos aceitar isso. Acho que os EUA, também, aprenderam com o Afeganistão, o Iraque e outros lugares que a intervenção direta pode levar à derrota. Achamos que isso (combate à Al Qaeda) é prioridade e responsabilidade das nossas forças de segurança e do Exército."

O Iêmen lançou nesta semana uma operação que matou dois militantes da Al Qaeda, o que tranquilizou os EUA e levou à reabertura da fortificada embaixada norte-americana em Sanaa.

"O que precisamos dos Estados Unidos e de outros parceiros é construir nossa capacidade para nos fornecer conhecimento técnico, com equipamento, com a informação de inteligência, com poder de fogo", disse Qirbi.

Nos últimos quatro dias, o Iêmen mobilizou forças contra a Al Qaeda em três províncias. Uma fonte de segurança disse que postos de controle adicionais foram instalados nas principais rodovias.

Os soldados cercaram um suposto líder regional da Al Qaeda perto da capital na quarta-feira, e capturaram oito militantes de baixo escalão nos últimos dias, inclusive três que ficaram feridos na ação de segunda-feira, segundo fontes de segurança.

Estrategicamente localizado no extremo sul da Península Arábica, o Iêmen tem de enfrentar o recrudescimento da Al Qaeda enquanto se depara também com uma rebelião xiita no norte e com um renitente sentimento separatista no sul.

"Acho que nosso pensamento foi de que talvez devêssemos poupar a Al Qaeda no último ano por causa do confronto no sul e com os Houthis (rebeldes). Mas a Al Qaeda tirou proveito disso", disse Qirbi, acrescentando que a rede militante tentou fazer avanços junto aos rebeldes do norte e os separatistas do sul.

"Aí foram mais longe para arrumar alguns ataques suicidas em Sanaa. E por isso foi importante que nossas forças de segurança agissem contra eles", acrescentou.

O Ocidente e a Arábia Saudita temem que a Al Qaeda se aproveite da instabilidade no Iêmen para ampliar suas operações para o reino vizinho, que é o maior exportador mundial de petróleo, e para outros lugares do mundo.

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