Iêmen lança ofensiva contra Al Qaeda; EUA reabrem embaixada

Por Mohamed Sudam e Mohammed Ghobari SANAA (Reuters) - Milhares de soldados iemenitas cercaram os militantes da Al Qaeda em três províncias, disseram autoridades nesta terça-feira, quando a embaixada dos Estados Unidos voltou a funcionar após uma ação militar nos arredores da capital, Sanaa.

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As embaixadas britânica e francesa também retomaram suas operações, mas ficaram fechadas ao público, segundo diplomatas.

O Iêmen, país mais pobre da Península Arábica, virou uma nova linha de frente na guerra dos EUA contra a militância islâmica depois que a Al Qaeda local assumiu a autoria de um frustrado atentado aéreo no dia de Natal.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, tem dito que a militância do Iêmen é uma ameaça à estabilidade regional e global.

Nos últimos três dias, o governo local mobilizou milhares de soldados para o combate à Al Qaeda em três províncias, e cinco suspeitos de ligação com o grupo foram detidos, segundo fontes de segurança.

"A campanha está continuando na capital e nas províncias de Shabwa e Maarib", disse uma fonte à Reuters, sob anonimato. A caçada ocorre também na província de Abyan, no sul.

A embaixada dos EUA anunciou sua reabertura depois de uma ação que matou dois supostos militantes e que dizia respeito diretamente a uma ameaça que havia levado ao fechamento das representações diplomáticas norte-americana e europeias.

"Operações de contraterrorismo bem sucedidas conduzidas pelas forças de segurança do governo do Iêmen (...) trataram de uma área específica de preocupação e contribuíram com a decisão da embaixada de retomar as operações", disse a embaixada dos EUA.

TRANSFERÊNCIAS DE GUANTÁNAMO

Em Washington, a Casa Branca disse que irá suspender por enquanto a transferência de mais prisioneiros da base naval de Guantánamo, em Cuba, para o Iêmen.

"Embora continuemos comprometidos em fechar a instalação (de Guantánamo), uma determinação foi adotada agora mesmo - qualquer transferência adicional para o Iêmen não é uma boa ideia", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Posicionado estrategicamente no extremo sul da Península Arábica, o Iêmen tenta enfrentar o recrudescimento da Al Qaeda, enquanto no norte ocorre uma revolta xiita, e o sentimento separatista permanece vivo no sul.

O Ocidente e a Arábia Saudita temem que a Al Qaeda se aproveite da instabilidade do Iêmen para ampliar suas operações para o reino vizinho, maior exportador mundial de petróleo, e além. O Iêmen é um pequeno produtor de petróleo.

O governo local reforçou a segurança em torno das embaixadas e zonas residenciais habitadas por estrangeiros, segundo a imprensa estatal. Um duplo atentado suicida com carros-bombas matou 16 pessoas em frente à embaixada dos EUA em Sanaa em 2008.

Na segunda-feira, as forças iemenitas mataram pelo menos dois supostos militantes que estariam por trás das ameaças que levaram ao fechamento das embaixadas. O presidente Ali Abdullah Saleh prometeu derrotar quem pensar em fazer mal ao país e à sua segurança.

BASE ALTERNATIVA DA AL QAEDA

Fontes de defesa e contraterrorismo dos EUA dizem que Washington vem discretamente fornecendo equipamentos militares, informações e treinamento ao Iêmen para desbaratar possíveis esconderijos da Al Qaeda.

O frustrado atentado do dia de Natal num voo Amsterdã-Detroit expôs a crescente importância da Al Qaeda no Iêmen e também o papel cada vez mais amplo dos militares e serviços de espionagem dos EUA no combate ao grupo.

A guerra civil e a ausência de instituições fizeram do Iêmen uma base alternativa para a Al Qaeda que, segundo autoridades dos EUA, teve de deixar parcialmente o Afeganistão e está sob pressão militar do Paquistão em áreas tribais vizinhas.

O Iêmen é uma tradicional base de apoio à Al Qaeda. Militantes explodiram o navio USS Cole, da Marinha dos EUA, em 2000 no porto de Aden, matando 17 marujos. Iemenitas formavam um dos maiores contingentes treinados nos acampamentos da Al Qaeda no Afeganistão antes da invasão norte-americana no país, em 2001.

(Reportagem adicional de Mohammed Mokhashef em Aden, de Cynthia Johnston em Dubai e de Jim Loney em Bagdá)

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