Iêmen calcula custo de atentados no país em US$ 2 bi

Ataques de grupos extremistas, incluindo a rede Al-Qaeda, custaram ao Iêmen nos últimos tempos mais de US$ 2 bilhões, segundo o ministro das Relações Exteriores do país, Abu Bakr Al-Qirbi. O país é o mais pobre do Oriente Médio e diz não ter recursos para combater a atuação de extremistas em seu território.

BBC Brasil |

"Pedimos a países doadores, organizações internacionais e parceiros do Iêmen que forneçam ajuda generosa para nossos programas de desenvolvimento e para combater a pobreza, ambos fatores fundamentais para combater o terrorismo", disse Al-Qirbi.

"Terroristas se aproveitam da pobreza, da necessidade e da ignorância para recrutar integrantes", acrescentou o ministro.

Al-Qaeda
A embaixada americana na capital do Iêmen, Sanaa, foi atacada em setembro por dois carros-bomba e homens armados.

O atentado deixou 18 mortos, incluindo uma americana e uma indiana, no que foi considerado o pior ataque atribuído a extremistas no país desde o bombardeio do navio militar americano USS Cole em 2000, que matou 17 marinheiros.

A Al-Qaeda assumiu a responsabilidade por outro ataque de morteiros à embaixada americana em março deste ano, que não deixou mortos, mas feriu crianças de uma escola vizinha.

A administração americana de George W. Bush havia considerado a condenação do clérigo iemenita Mohammed Ali Hassan Al-Moayed, acusado de captar recursos para Osama Bin Laden e para o grupo militante palestino Hamas, uma vitória importante na luta contra a Al-Qaeda.

A condenação, no entanto, foi anulada nesta semana por um tribunal de Nova York.

Mas há ligações históricas entre o Iêmen e a Al-Qaeda. O pai de Bin Laden era iemenita e o maior contingente de detidos pelos militares americanos na Baía de Guantánamo saiu do país.

Analistas afirmam que a atuação da Al-Qaeda vem crescendo no Iêmen por uma série de motivos, incluindo o aumento da repressão contra militantes na vizinha Arábia Saudita desde março.

Os extremistas com problemas em território saudita estariam buscando refúgio nas vastas montanhas sem lei do sul do Iêmen.

Guerrilha
Grupos separatistas armados que desejam o fim do vínculo com o governo central também atuam no sul do Iêmen.

Apesar de ser uma das civilizações conhecidas mais antigas do mundo, o país foi unificado apenas em 1990, quando o Iêmen do Norte (República Árabe do Iêmen) incorporou o Iêmen do Sul (República Democrática do Iêmen).

Os dois lados já haviam se enfrentado em uma guerra civil de dois meses, em 1994, quando uma tentativa de insurgência sulista foi sufocada. Planos de autonomia foram então cancelados e muitos militares, aposentados.

Em meados do ano passado, associações de militares aposentados passaram a reivindicar uma pensão maior. Não demorou para que as exigências passassem a ser de independência e aumentassem os ataques contra alvos militares.

"Não somos iemenitas, somos árabes do sul", afirmou Ali Al-Said, vice-presidente do comitê de Generais Aposentados do Sul, à rede de televisão Al-Jazeera, referindo-se ao nome como o Iêmen do Sul é historicamente conhecido. "Éramos uma nação independente e queremos voltar a ser."
Grupos de defesa dos direitos humanos calculam que 17 ativistas separatistas tenham sido mortos e mais de 800 detidos desde meados de 2007 no sul do país.

Economia
A principal reclamação de vários segmentos sociais no sul do país é que a região é discriminada economicamente pelo governo, que fica no norte.

O país é pobre em recursos naturais, com 80% de sua economia baseada em reservas cada vez menores de petróleo e gás, localizadas em desertos do sul do país.

O cientista politico Ahmad Mohammed Abdulghani afirmou, em artigo publicado no jornal Yemen Times, que as contradições estruturais do país são um grande obstáculo ao seu desenvolvimento.

"Nosso Estado se transformou em uma única autoridade representando um grupo social particular e excluindo outros", escreveu Abdulghani. "É por isso que observadores politicos acreditam que os problemas de agora não vão ser resolvidos por várias gerações."
Além dos problemas no sul, o Iêmen enfrenta desde 2004 uma insurgência xiita no norte do país.

O governo iemenita convidou observadores internacionais para monitorar as eleições parlamentares do país, marcadas para o início do ano.

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