Identificação de vítimas de Pinochet requer processo jurídico

Viena, 10 dez (EFE).- O Instituto de Medicina Legista de Innsbruck, na Áustria, confirmou hoje que seu trabalho de identificação de mostras de DNA efetuado em supostas vítimas da ditadura militar chilena requerem um processo jurídico para ser vinculativos.

EFE |

"É correto; na Áustria também é assim. Sem confirmação jurídica não há identificação", disse à agência Efe hoje Richard Scheithauer, presidente desse Instituto.

O analista coincidiu assim com o diretor do Serviço Médico Legal (SML) do Chile, Patrício Bustos, que ontem reagiu à notícia de que o instituto austríaco tinha identificado quatro vítimas da ditadura de Augusto Pinochet e advertiu que a identificação não é válida sem o veredicto dos juízes.

"Está completamente claro que a identificação requer sempre um processo jurídico. Os dados que nós obtemos representam um claro indício", destacou Scheithauer de Innsbruck, à Efe, por telefone.

Seu colaborador Martin Steinlechner, também diretor do departamento de Genética Legista e Rastreamento de Pegadas da universidade de Innsbruck, informou ontem sobre o trabalho efetuado pelo instituto com 49 fragmentos ósseos e dentes provenientes de uma vala comum próxima a Santiago.

"De 49 fragmentos ósseos pudemos constatar que 47 pertencem a 13 pessoas. Isso é seguro. Depois pudemos identificar quatro delas graças às amostras de DNA enviadas por seus familiares", disse.

Esses restos pertencem ao "pessoal de guarda e membros do Grupo de Amigos do Presidente (GAP) Salvador Allende, principalmente médicos e advogados, que foram capturados em 11 de setembro de 1973 (dia do golpe de Estado), dentro do Palácio de la Moneda", explicou Udo Krenzer, coordenador da área técnico-pericial do Programa de Direitos Humanos do Serviço Médico Legal de Santiago.

Tanto em declarações à Efe como em entrevista coletiva em Innsbruck, Steinlechner destacou que não se tratava de revelar nomes.

Scheithauer precisou hoje que os cientistas da Áustria "sempre" fazem suas análise e comparações de DNA "sem nomes, a partir de mostras anônimas" e ressaltou que, dada a sensibilidade do assunto, os analistas do laboratório austríaco desejam evitar mal-entendidos.

No Chile, Lorena Pizarro, presidente do Grupo de Familiares de Detidos Desaparecidos, destacou ontem aos jornalistas a contribuição dos laboratórios estrangeiros na identificação das vítimas, mas ressaltou também que o conquistado em Innsbruck é apenas uma parte do processo. EFE wr/jp

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