Ida de Fidel à TV foi aval indireto à libertação, diz Fariñas

Para dissidente, aparecimento tem o objetivo de mostrar que Raúl Castro tem apoio do líder da Revolução Cubana e não é um traidor

iG São Paulo |

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, que se recupera de uma greve de fome de 135 dias , disse nesta terça-feira que a participação do líder cubano Fidel Castro em um programa de TV na segunda-feira representou uma espécie de "aval" à libertação de 52 presos políticos que, ao mesmo tempo, interpretou como um "gesto de clemência" do governo.

O aparecimento de Fidel Castro "foi um aval indireto ao que está ocorrendo com nossos presos e às negociações mantidas com a União Europeia e a Igreja Católica", disse Fariñas que, depois do anúncio oficial de libertação dos presos políticos, pôs fim à greve de fome .

"É importantíssimo, essencial, que Fidel tenha reaparecido lúcido, consciente, para que os mais radicais dentro do regime não possam acusar o governo de Raúl Castro e os que querem mudanças de traidores do líder", afirmou.

Também foi uma "maneira de desviar a atenção da opinião pública nacional e internacional", de mostrar a seus partidários que "o Comandante está aqui", disse.

"Indiscutivelmente, o governo fez um gesto de clemência aos opositores e, acredito, deverá continuar fazendo", declarou Fariñas à AFP por telefone, do hospital da cidade de Santa Clara (centro), ao referir-se aos estimados 115 presos políticos que ainda estão nos cárceres cubanos.

Em relação à própria saúde, Fariñas explicou que começou a ingerir líquidos , embora seu estado ainda seja "muito grave" por causa de um coágulo na jugular . "Estou bebendo água, sucos naturais, gelatina e caldos de frango", comentou com voz clara e animada.

Chegada à Espanha

As declarações de Fariñas foram feitas no mesmo dia em que 7 dos 20 dissidentes que aceitaram mudar-se para a Espanha chegaram a Madri . O grupo de sete dissidentes cubanos afirmou que eles representam "o início de um caminho que pode ser o começo de uma mudança " na ilha.

As declarações foram feiras por Ricardo González Alfonso em nome de seus companheiros Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, pouco após chegar a Madri.

Outros quatro presos cubanos, acompanhados de seus familiares, devem chegar na quarta-feira à Espanha, informou nesta terça-feira o ministro espanhol de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos. O ministro não revelou a identidade dos presos que partem esta noite de Havana rumo a Madri.

nullTodos os 52 presos políticos fazem parte do grupo de 75 dissidentes que, em abril de 2003, foram condenados a longas penas de prisão por supostamente atentar contra a soberania e independência do Estado cubano, conspirar com os Estados Unidos e solapar os princípios da revolução.

Repercussão

O Brasil e os EUA saudaram a libertação nesta terça-feira dos prisioneiros políticos. Para o chanceler brasileiro, Celso Amorim, o governo cubano caminha na "direção correta" com a decisão de libertar os dissidentes.

O Departamento de Estado dos EUA elogiou a participação da Espanha e da Igreja Católica cubana na mediação com Cuba para libertar os opositores, classificando o acordo de "um acontecimento positivo".

Os cubanos chegaram a Madri em dois voos separados que deixaram Havana na noite de segunda-feira. Os sete dissidentes e suas famílias somam cerca de 53 pessoas, segundo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha.

Segundo o ministério, no primeiro voo viajaram Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, juntamente com seus familiares. Em outro avião, que pousou no aeroporto de Barajas cerca de uma hora depois, chegou Ricardo González Alfonso.

Na segunda-feira, Moratinos afirmou que os dissidentes cubanos serão cidadãos livres e desfrutarão de plenos direitos. Eles contarão com "o apoio e a assistência" do governo espanhol para que possam encontrar uma casa.

*Com EFE e AFP

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