Rio de Janeiro, 10 jul (EFE).- A ideia generalizada de que a Amazônia tem o terreno predominantemente plano foi desmentida hoje, com o lançamento de um banco de dados que revela que 74% da maior floresta do mundo está situado em áreas de relevo irregular, como montanhas, depressões e colinas.

Apenas 7% dos cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados que compreendem a chamada Amazônia Legal no Brasil tem relevo totalmente plano, segundo as informações do banco de dados lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E 16,3% da área amazônica em terreno irregular pode ser considerada acidentada, ou seja, como área de grande inclinação e muito vulnerável à erosão, principalmente em caso de desmatamento.

"Com o estudo, percebemos que a região amazônica tem uma variedade de relevo muito superior ao que pensávamos", explicou o coordenador de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do IBGE, Trento Natali Filho.

As informações do Banco de Dados Digital de Geomorfologia da Amazônia Legal podem ser consultadas gratuitamente no site do IBGE e incluem mapas topográficos em cada centímetro, que representa 2,5 quilômetros da Amazônia, na escala.

O objetivo do projeto é oferecer material para novos estudos sobre a Amazônia, facilitar o ordenamento territorial e servir de ferramenta para o planejamento de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região, segundo Natali Filho.

O estudo revela que apenas 13% da área da Amazônia tem um relevo que seria recomendável para áreas de agricultura, o que não significa que sua terra seja fértil ou que o terreno seja propício para a produção mecanizada.

Além disso, indica que 14% das áreas são vulneráveis a inundações temporárias, o que pode tornar qualquer projeto de ocupação inviável.

O banco de dados sobre o relevo da Amazônia se soma a outro que o IBGE tinha lançado em 2008 sobre a vegetação da região e será complementado com um sobre o solo e a geologia que será lançado em 2010.

Os dados foram elaborados com base nos últimos mapas da região, imagens de satélite e estudos atualizados de diversas entidades públicas e privadas. EFE cm/pd

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