caçada fútil no caso Jean Charles - Mundo - iG" /

Ian Blair pede fim de caçada fútil no caso Jean Charles

O ex-chefe da polícia metropolitana de Londres, Ian Blair, pediu o fim do que chamou de caçada fútil por algum culpado pelo assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes. Em entrevista publicada neste domingo no jornal The Mail on Sunday, Blair disse que a razão principal do incidente foi a neblina de guerra.

BBC Brasil |

"Eu me tornei extremamente preocupado com a busca contínua por um bode expiatório. O que as pessoas precisam considerar é que às vezes ações bem-intencionadas de pessoas decentes ainda assim acabarão em desastre", disse.

Ian Blair renunciou ao cargo em outubro, dizendo não contar com o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson, que tomou posse em maio deste ano.

"Eu lamento profundamente a morte de Jean Charles. Mas também estou profundamente orgulhoso dos policiais que correram naquele dia em direção ao que acreditavam ser um perigo mortal", disse Blair ao jornal.

"O fato agonizante que precisamos encarar é que às vezes coisas terríveis acontecem, mas ninguém é culpado pessoalmente", disse Blair. "É como a neblina da guerra. Essa busca interminável por um bode expiatório não ajuda. Se tornou uma característica de nosso sistema mas, no final, não nos leva a lugar nenhum."
Policial
Na mesma reportagem, o The Mail on Sunday traz também declarações de um dos policiais que participaram da operação que resultou na morte de Jean Charles.

O policial falou sobre o veredicto inconclusivo dado pelo júri do mais recente inquérito sobre a morte do brasileiro.

"O sentimento geral entre os colegas é subjugado. Mas júris são assim. O investigador estava buscando um veredicto de morte não-criminosa, mas o júri não viu dessa forma", disse o policial, que não foi identificado pelo jornal.

"É prerrogativa do júri dar o veredicto que deu. Eu sei que não há justiça para a família de Menezes, mas meus colegas fizeram o melhor que podiam naquele momento. Eles estavam em uma situação sem vitória", disse.

O policial continua na ativa e disse ao jornal que o veredicto irá afetar o moral do time no curto prazo.

"Mas, no geral, o moral permanece alto. Há um trabalho a ser feito. Eles são caras profissionais e prosseguirão".

"Esse foi um período difícil para as pessoas envolvidas e suas famílias. Esses são pais de família. Eles têm seus próprios filhos. Foi uma tragédia para eles".

Quando perguntado se a tragédia poderia se repetir, o policial disse ao The Mail on Sunday que "provavelmente vai". "Não há uma forma segura de se lidar com homens-bomba."

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG