Ian Blair chefiou polícia de Londres na época de atentados

Você não chega aqui sem calças com forro de cobre. Essas foram as palavras de Ian Blair ao assumir o comando da Polícia Metropolitana de Londres em fevereiro de 2005. Este é um lugar muito difícil.

BBC Brasil |

Cinco meses depois, ele descobriu exatamente o quão difícil seu cargo era.

Atentados no sistema público de transporte de Londres e ataques frustrados na cidade, em julho de 2005, deram início a investigações criminais e diversas prisões.

Enquanto oficiais buscavam os suspeitos de tentar realizar um atentado frustrado no dia 21, policiais mataram por engano o brasileiro Jean Charles de Menezes.

Desde aquele dia, Blair vem sofrendo pressões para deixar o cargo, o que acabou acontecendo apenas nesta quinta-feira - mais de três anos depois do episódio.

Blair também sofreu acusações de racismo contra outros policiais da força e de corrupção, supostamente beneficiando um amigo com contratos da polícia.

A briga sobre a saída de Blair começou logo depois da morte de Jean Charles. O chefe de polícia foi considerado culpado de desrespeitar regras de segurança no caso.

Mas nenhum policial foi processado. O próprio Blair foi inocentado da acusação de mentir na investigação sobre o que a polícia sabia naquele dia.

Oxford

Ian Blair foi educado em Shropshire e Los Angeles e foi contemporâneo do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair na Universidade de Oxford.

Ele se formou como recruta da Polícia Metropolitana em 1974 e foi rapidamente promovido.

Em 1985, tornou-se inspetor-chefe no norte de Londres e foi responsável por identificar as vítimas de um grande incêndio na estação de trem e metrô de King's Cross.

Blair tornou-se então diretor da Operação Galeria, uma das maiores investigações sobre corrupção policial da história de Londres.

Nos anos 80, ele publicou um livro que mudou a forma como a polícia britânica investiga casos de estupro. Ele também ocupou posições administrativas na polícia de Thames Valley e Surrey.

Policiamento comunitário

Em maio de 2000, Blair voltou à polícia como número dois da corporação, depois de perder a indicação para chefe da entidade para John Stevens.

Em quatro anos, ele trabalhou nos bastidores para reformar a polícia. Nessa época, foi condecorado pela rainha Elizabeth 2ª.

A promoção para o topo da estrutura policial de Londres foi anunciada em fevereiro de 2005.

Ele foi um dos arquitetos de um polêmico plano para criação de policiais comunitários auxiliares e se envolveu em uma reestruturação para modernizar a polícia.

Blair também foi importante na estratégia de "policiamento comunitário", que dedica pequenos grupos de policiais para supervisionar áreas da cidade.

Para o governo britânico e de Londres, ele foi a principal figura no plano nacional de combate a "ameaças terroristas".

Político

Entre muitos de seus colegas, Blair é visto como um político, além de policial, com apoio de alguns ministros influentes.

Na medida em que foi subindo na carreira, alguns de seus inimigos montaram uma campanha, junto a jornalistas e políticos, para retirá-lo do cargo.

Simpatizantes de Blair dizem que ele trabalhou duro para acabar com os casos de discriminação racial e de sexo na corporação.

Mas desde que surgiram as acusações de racismo, em julho, seu futuro na corporação havia se tornado ainda mais incerto.

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