Hungria nega haver risco de catástrofe no Danúbio

Ministro do Interior afirma que lama tóxica não afetou água potável de área atingida

EFE |

O governo da Hungria negou nesta sexta-feira que exista perigo de acontecer uma catástrofe ecológica no rio Danúbio por causa do vazamento de centenas de milhares de toneladas de lodo tóxico de uma unidade processadora de alumínio.

O ministro do Interior húngaro, Sandor Pinter, assegurou em Budapeste que o vazamento de "barro vermelho", um resíduo da produção do alumínio, não afetou a água potável da área atingida. "O material que chegou ao rio tem um nível de PH inferior a 9, que se diluirá em poucos quilômetros", disse.

O valor do PH tolerável para o homem oscila entre 4,5 e 9,5 pontos, enquanto a medida de alcalinidade do "barro vermelho" em seu estado não diluído é de 13 sobre um máximo de 14. O ministro acrescentou que em nenhum caso a poluição atingirá uma dimensão que "cause um dano biológico ou ambiental". Citado pela agência de notícias "MTI", o diretor da autoridade regional de água da Hungria, Emil Janak, também descartou "efeitos sobre o ecossistema do Danúbio".

Segundo dados da Proteção Civil, o valor do PH no rio Raba, que desemboca diretamente no Danúbio, situa-se atualmente em 9 pontos, enquanto no Danúbio, à altura de Komaron, essa medida é de 8. A localidade de Komaron fica a 20 quilômetros de onde o Raba conflui com o Danúbio, o segundo maior rio da Europa, que em seu percurso até o Mar Negro ao sul da Hungria flui pela Croácia, Sérvia, Bulgária e Romênia.

As causas do desastre permanecem desconhecidas. Sete pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas no desastre que, na segunda-feira, afetou vilarejos situados a 160 quilômetros a oeste de Budapeste. Ainda há uma pessoa desaparecida.

Preparativos na Sérvia

Apesar das declarações da Hungria, as autoridades da Sérvia anunciaram nesta sexta-feira que preparam medidas de emergência pelo fato de a lama tóxica ter chegado ao rio Danúbio, mas esperam que elas não precisem ser aplicadas antes de segunda-feira.

"O que se pode esperar nas próximas 24 horas é uma advertência, mas até o início da semana que vem essas medidas não devem ser necessárias", declarou Predrag Maric, chefe de situações de emergência no Ministério do Interior sérvio. Maric afirmou que não há necessidade de pânico, dizendo que as vidas dos cidadãos na Sérvia não estão em perigo, embora a fauna e a flora possam ser afetadas.

Ele disse que o local da Hungria em que a lama tóxica chegou ao Danúbio está a 340 quilômetros por via fluvial da Sérvia, "e a concentração de materiais tóxicos não pode ser igual" à de onde ocorreu o vazamento. No entanto, ressaltou que as medições e o controle de água serão realizados com frequência.

Causas do acidente

A empresa de alumínio húngara MAL, proprietária da represa onde ocorreu o vazamento, disse que não pôde prever o acidente nem fazer nada para evitá-lo. Em comunicado divulgado em seu site, a empresa de alumínio assegurou que, "até o momento, não foi possível precisar as causas da catástrofe".

A companhia assinala que a "lama vermelha" "não é qualificada como resíduo perigoso segundo os padrões da União Europeia (UE)". Além disso, o comunicado destaca que, segundo as imagens aéreas, 98% da "lama vermelha" continua dentro da represa.

A direção da empresa reitera que a tragédia não foi causada por falha sua e oferece 30 milhões de florins (110 mil euros) de ajuda urgente aos habitantes das localidades afetadas pelo vazamento. A MAL alega também diz que realiza obras para reconstruir o dique e realizará outras para evitar novas rupturas. A empresa propõe a formação de um comitê internacional para esclarecer os detalhes do acidente.

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